A família Dalla Rosa assumiu há 32 anos uma empresa cheia de dívidas e a transformou na pioneira e líder do mercado em transportes agroindústrias e viaturas especiais
“Foi uma aposta, ninguém acreditou que chegaríamos aonde chegamos hoje. É o resultado de muito trabalho e dedicação”, recorda ex-bancário de baixa estatura que hoje preside a empresa que assumiu cheia de dívidas, em 1985.
Você depositaria todas as suas fichas em um negócio cujas atividades estão paralisadas à beira da falência? Os Dalla Rosa investiram. Afamília saiu de Ijuí, em 1984, para assumir as dívidas da fábrica Trilhadeiras Erechim e transformá-la em uma das maiores empresas erechinenses e líder no mercado de transportes na agroindústria e viaturas especiais.
Sem capital de giro, pouco conhecidos na cidade, em um pavilhão locado sem muita estrutura e com dívidas. A empresa tinha tudo para continuar dando errado, mas devido a visão empreendedora, a boa gestão e a receptividade erechinense – tanto do poder público quanto da comunidade empresarial – a Triel foi aos poucos alçando voos maiores e se estabelecendo no mercado, conforme o atual diretor-presidente, Airton Dalla Rosa.
No primeiro mês sob controle da família, contando com um quadro de seis funcionários, a empresa produziu apenas máquinas agrícolas e um silo graneleiro, que sem as facilidades da tecnologia e máquinas de precisão foi elaborado de maneira completamente artesanal. “Dependia-se mais das pessoas do que das maquinas. Hoje se ganhou muito em qualidade com a tecnologia”.
Três anos após assumir a nova direção da Trilhadeiras Erechim, os Dalla Rosa conseguiram quitar todas as dívidas. “Após colocar as contas em dia, começamos a vislumbrar uma sede própria e uma perspectiva de crescimento. Em 1989 compramos o terreno no Distrito Industrial – onde hoje ainda está instalada a matriz – com ajuda do poder público e em 1990 deixamos as instalações alugadas que ficavam no Bairro Triângulo, próximas à Cotrel”, recapitula.
A partir de 1990, a empresa já com 35 funcionários foi diversificando e ganhou o mercado internacional. Desde este período, a empresa exporta para a América Latina, que corresponde a 90% do volume em exportações.
No mesmo ano, o negócio passou a ser oficialmente Triel HT. “Mudamos o nome, pois não produzíamos mais trilhadeiras. Não tinha mais sentido usar o nome, então preservamos o Triel e em homenagem aos pais, Honoratto e Tereza, as iniciais foram agregadas ao nome da empresa que virou Triel HT Indústria de Equipamentos Rodoviários”.
Já em 1997, a novidade no mercado foi a produção de silos graneleiros em alumínio. “É um produto resistente mais leve, uma tecnologia inovadora na época que tivemos que buscar em outros países”, ressalva.
Com a crescente demanda de produção, e vislumbrando novas oportunidades, em 2006, a empresa inaugurou sua filial nas margens da RS 135 – saída para Passo Fundo. A partir deste período, a Triel HT que já era líder no transporte agroindustrial com a produção de carrocerias para aves, ração e suínos, se insere no mercado de implementos rodoviários (caçamba, semi-reboques, baú lonado) e inaugura também sua unidade de viaturas especiais de combate a incêndio.
Além das viaturas para bombeiros militares, em 2011 foi lançada a chamada ‘Linha Amarela’. As viaturas aeroportuárias contaram inicialmente com um processo de produção em parceria com industrias europeias. “Fomos os pioneiros no Brasil, já que, até o momento, os veículos eram importados. Tivemos essa visão de trazer a tecnologia e hoje as viaturas têm projeto próprio e saem com a marca Triel HT”. Já em 2015, desenvolveram a primeira auto-escada brasileira.
Dias atuais da empresa
Atualmente são 400 funcionários, que correspondem a uma produção de 120 carrocerias por mês. A empresa hoje conta com quatro fábricas: a matriz, a unidade de implementos rodoviários, a de tanques e a de viaturas especiais. Ainda conta com a Usitec, uma unidade de usinagem que atende as indústrias da Triel.
Ainda, conta com uma filial em Rio Verde, Goiás e para o segundo semestre de 2016, uma nova montadora deve integrar o time, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso. “Essas filiais fora do Rio Grande do Sul são apenas para montagem, distribuição e assistência técnica. Abrimos nesses locais em específico pela proximidade com nossos clientes, é uma maneira de estar à frente da concorrência, uma vez que somos líderes no mercado, precisamos sempre inovar e melhorar”
Ainda, a Triel HT possui, no Brasil e no exterior mais de50 oficinas autorizadas com peças e mecânicos treinados na fábrica. Todo o parque industrial e os negócios são comandados por quatro dos nove irmãos Dalla Rosa, um sobrinho e um primo de Airton.
A recessão de mercado e dias melhores
A empresa já chegou a produzir 150 carrocerias por mês e contar com um quadro de 450 funcionários. Mas em função da retração de mercado e da queda de 30% no faturamento, no ano de 2016, os Dalla Rosa cortaram custos, reduziram o quadro de funcionários e fizeram adequações a nova realidade.
“Já passamos várias crises, mas essa é a mais aguda. Em função do porte da empresa, sentimos mais. Como somos uma empresa familiar e enxuta, fica mais fácil para nós tomarmos decisões com mais rapidez e se adequar mais rápido as condições do mercado”, retrata o diretor.
Apesar de não ter perspectiva de melhoras significativas em curto prazo, os gestores têm a ideia de unificar a empresa. “Queremos levar toda produção para a ERS 135. Lá conseguiremos reduzir custos com logística, administrativos e melhorar o ambiente de trabalho de uma forma geral. O Objetivo é construir uma fábrica ampla com o conceito de montadora.
Para escapar da retração do mercado interno, Airton afirma buscar viabilizar mais negócios fora do país para compensar a perda em todos os segmentos. A empresa lançará dois produtos novos na linha de tanque esse ano. “A meta do planejamento estratégico da empresa, independente da linha, é lançar dois produtos novos a cada ano”, pontua.
Dalla Rosa finaliza salientando que “uma empresa líder no mercado deve estar sempre um passo à frente, e oferecer vantagens aos clientes para não perder competitividade”.