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“Ninguém leva Covid-19 escrito na testa”, afirma erechinense que mora em Madri

Samantha Johann, conta sua rotina numa Espanha castigada pela epidemia e dá dicas de prevenção

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Ruas de Madri vazias
Samantha Johann: ‘Semana passada estávamos na sacada para aplaudir o esforço que muitos estão fazend
Por Salus Loch
Foto Arquivo pessoa

Com mais 849 mortes nas últimas 24 horas, a Espanha chegou na terça-feira (31) a 8.189 vítimas da covid-19 (2º maior número no mundo, só atrás da Itália), num total de 94,4 mil casos registrados no país.

A erechinense Samantha Johann está no centro da pandemina no país espanhol. Ela e o marido moram em Madri há quase dois anos e meio. Nesta entrevista, Samantha fala como o novo coronavírus alterou sua vida e a de todos os espanhóis, além de contar um pouco de sua rotina no país que desde 14 de março está em ‘estado de alarme’, com comércios não essenciais fechados e quarentena (restrições de deslocamento) para toda a população.

Veja o que Samantha diz:

 

Mudanças começaram em fevereiro

‘Sempre gostamos muito da Espanha e, especialmente de Madrid, pelo clima seco e ensolarado. Porém desde meados de fevereiro nossa rotina mudou. Antes mesmo da Espanha decretar a quarentena, estávamos evitando ao máximo sair, ir a restaurantes, academia e usar o transporte público, pois vimos que a situação estava se complicando no âmbito internacional. A Itália já estava sem controle (da doença) e com transmissão local. No fim de janeiro, aliás, já havíamos cancelado a viagem do feriado de Páscoa por conta disso. Nem todos, porém, estavam preocupados, havia muita gente nas ruas, inclusive gente bem idosa, já que aqui na Espanha é muito comum ver pessoas de idade super independentes, indo a bares, passeando, inclusive à noite’.

 

Ninguém leva Covi-19 escrito na testa

‘A Espanha tem uma relação muito estreita com a China e aqui vivem muitos chineses. Por isso, era possível prever que cedo ou tarde o vírus chegaria ao país. Também é interessante salientar que até pouco tempo os “gripados” nunca cogitariam que a gripe poderia ser a Covid-19, imaginando que, por não terem ido à China ou à Itália, estariam livres do vírus e continuavam indo ao trabalho, ao curso, enfim, socializando, o que achei uma irresponsabilidade. Muitos ignoraram que o vírus já estava com transmissão local na comunidade e que qualquer um poderia estar contaminado, pois boa parte não apresenta sintoma e ninguém leva “Covid-19” escrito na testa”.

 

 

Uso da máscara

‘Diferente dos países asiáticos, onde se indica e se incentiva o uso de máscara quando se está com sintomas leves de gripe para evitar contagiar os outros e em respeito ao próximo, por aqui, assim como no Brasil, o uso não é bem aceito socialmente e acredito que essa atitude seja também um dos fatores que colaboraram para que na Ásia a Covid-19 esteja sendo de certa forma mais ‘controlado’ que no Ocidente, dentre outros fatores comportamentais e governamentais’.

 

Medo de contaminação?

‘Na Espanha perderam o controle dos casos. Há um bom tempo só se testa casos graves e que precisam de internação e estima-se que 80% dos casos são leves ou assintomáticos. Por isso a porcentagem de falecimentos é tão elevada. Além disso, o país tem muitos idosos e fumantes. O governo Espanhol estima que 80% da população vai acabar tendo contato com o vírus. Parece ser uma realidade que vamos ter que enfrentar e aceitar. Conhecemos uma pessoa próxima que foi internada e deu positivo, e agora passa bem depois de 10 dias no hospital e conhecemos várias outras que tiveram sintomas leves e nem sequer foram testadas’.

 

A morte do outro lado da rua

‘Semana passada estávamos na sacada para aplaudir o esforço que muitos estão fazendo para tentar salvar vidas e vimos que no prédio em frente estavam retirando uma pessoa, já sem vida da sua casa. Aquilo me chocou muito. Todos estavam usando hazmat e equipamento de proteção, os quais nunca tinha visto pessoalmente. Tiraram toda a proteção com muito cuidado para não encostar em nada, passaram muito álcool, parecia que estavam passando até no rosto, e lá se foi mais uma vida, sem nem poderem velar a pessoa. Com certeza foi a cena mais triste e angustiante que já presenciei. No dia seguinte vimos um caminhão limpando as ruas e as calçadas passando em frente’.

 

Só saídas extremamente necessárias

‘Evitamos sair de casa ao máximo. Quando saímos é para ir ao mercado, e quando voltamos para casa tem todo um protocolo para lavar embalagens e alimentos, depois tomar banho e lavar as roupas, como nos foi instruído aqui na Espanha. Os aplicativos de entrega em casa, aliás, já não estão mais entregando, pois não estão dando conta da demanda’.

 

Ida ao Brasil

‘Até havíamos pensado em ir ao Brasil no dia 12 de março, pela situação que estava entrando a Espanha, mas reconsideramos, pois ficar 10/11 horas em um avião com mais de 200 pessoas respirando o mesmo ar e não sabendo se a aeronave havia sido limpa adequadamente depois da última viagem, nos fez rever a ideia’.

 

Rotina de trabalho puxada

‘A rotina de trabalho para quem está em quarentena na Espanha é intensa apesar de estarmos em casa. Como vivemos uma situação de incerteza e preocupação, a exigência e sobrecarga é uma realidade. Contudo, estamos confiantes que depois dia 11 de abril (quando a quarentena chegará ao fim, depois de uma extensão de mais 15 dias) se Deus quiser teremos uma melhora no cenário’

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