“Acredito na minha profissão e na capacidade que a educação tem de transformar pessoas que podem transformar os espaços dos quais fazem parte.” É com essa convicção que Eliana Luísa Chiaradia da Silva fala sobre a motivação que a levou a escolher a carreira docente. Para ela, o ensino é um caminho de construção do ser humano enquanto cidadão participativo e atuante. “É através da educação que o ser humano se transforma e se constitui enquanto cidadão, tornando-se um ser participativo, ativo e existente”, afirma.
Trajetória e formação
Pedagoga, Mestra em Educação e pós-graduada em diversas áreas, Eliana construiu uma trajetória marcada pelo estudo contínuo e pelo compromisso com a alfabetização. Concluiu especializações em Educação Integral e Gestão Escolar (UFFS/Erechim) e em Gestão (UFRGS). Atualmente, cursa pós-graduações em Letramento e Alfabetização (UPF) e em Direito do Trabalho, além de graduação em Direito.
“Na prática, intitulo-me alfabetizadora, pois alfabetizei por mais de 20 anos”, conta. Além de atuar na Educação Infantil, Eliana exerce atualmente sua terceira gestão como diretora de uma Escola de Educação Integral da Rede Pública Estadual.
A formação constante e a vivência em diferentes etapas da educação ajudaram a moldar sua visão sobre o papel da escola e do professor. “Acredito na criatividade e na capacidade humana de transformação, e é a partir desta confiança no ser humano, na educação, na escola, nos professores e nos estudantes que eu sonho uma educação digna e de qualidade”, reforça.
Aprendizagens marcantes
Entre as experiências mais significativas de sua trajetória, Eliana recorda as atividades lúdicas realizadas durante o processo de alfabetização, especialmente as “horas do conto” e os “dormidões temáticos”. Um deles, inspirado no Sítio do Pica-Pau Amarelo, tornou-se inesquecível: “Naquele momento, me caracterizei de Emília e dei vida ao Emílio, primo da Emília, já que o desejo dos estudantes era que o Emílio também se tornasse um boneco falante.”
A preparação da personagem, desde o figurino até a encenação, representa para Eliana a essência do trabalho da alfabetizadora: criatividade, envolvimento e afeto. “A caracterização da Emília é a figura que me identifica enquanto alfabetizadora”, resume.
Essas vivências, para ela, são exemplos de uma pedagogia que valoriza a escuta, a empatia e o encantamento. “Os dormidões, entre muitas outras atividades lúdicas, são exemplos de pedagogia afetiva, escuta ativa, flexibilidade, criatividade e engajamento, pois criam laços e experiências memoráveis que marcam o aprendizado e transformam o conhecimento em vivência rica e inesquecível.”
Mudanças e desafios da educação
Ao longo dos anos, Eliana acompanhou as transformações que atravessam a educação e acredita que elas refletem os movimentos da sociedade. “Embora as instituições educacionais não consigam acompanhar a velocidade em que essas mudanças sociais acontecem, elas ocorrem em torno das relações políticas, econômicas e culturais da sociedade no decorrer da história da humanidade”, analisa.
Esses processos, segundo ela, influenciam diretamente o comportamento dos estudantes e o papel do professor. “Os alunos de hoje são o resultado das mudanças sociais. Eles trazem novas formas de pensar, agir e aprender, o que exige do educador um olhar mais sensível e adaptável.”
O papel do professor
Eliana vê o educador como mediador e aprendiz. “Hoje competimos com os avanços acelerados da tecnologia. Não dá mais para pensar que somos os detentores do saber, como se a única forma de aprender fosse pela transmissão de conhecimentos.”
A professora cita autores como Boaventura de Souza Santos, Brandão, Bourdieu e Paulo Freire para fundamentar sua visão de docência como prática dialógica. “O professor é peça fundamental nos processos de ensino e aprendizagem, assumindo uma postura de aprendiz em constante formação, junto com os estudantes. É nesta condição de aprendiz que reside a sua importância para a consolidação das aprendizagens.”
Uma educação justa e criativa
Para Eliana, uma sociedade mais justa passa por uma educação igualitária e acessível, capaz de gerar transformações reais. “Acredito em uma educação justa e igualitária, com oportunidades para todos, como ação basilar para que ocorram as mudanças necessárias, inclusive nas questões ambientais”, defende.
A alfabetização e o uso do lúdico sempre foram centrais em sua prática pedagógica. “Os processos de ensino e aprendizagem se consolidam nas trocas de experiências, quando o conteúdo científico e o conteúdo vivido se complementam”, explica.
O poder do lúdico na gestão escolar
Hoje, como diretora, Eliana leva consigo essa trajetória construída na alfabetização. “O histórico que trago como alfabetizadora se traduz em iniciativas na gestão escolar”, explica. “Incentivo projetos pedagógicos que integrem o lúdico e a contação de histórias em todas as áreas do conhecimento.”
Ela também atua na formação de professores, compartilhando experiências e promovendo práticas que fortalecem o engajamento e a criatividade. “Busco contribuir para uma cultura escolar que valorize a imaginação, o brincar e a afetividade como pilares do desenvolvimento e da aprendizagem em todas as idades.”
Em sua visão, ensinar é um ato de amor, paciência e transformação. “O professor não forma apenas mentes, mas corações. E o lúdico é o elo que conecta o aprender ao viver — o caminho mais bonito para que o conhecimento floresça.”