“O gosto pela arte começou nas aulas do ensino fundamental, quando a doçura da minha professora e as atividades artísticas despertaram em mim o desejo de seguir por essa área”, recorda Magda Ampessan Schneider. Formada em Artes Plásticas – bacharelado e licenciatura – pela Universidade de Passo Fundo (UPF), ela também é especialista em Arteterapia, área que representa sua crença na arte como “instrumento de expressão de sentimentos e cura”.
Sua trajetória docente iniciou em 1988, na rede municipal de Erechim, unindo o ensino da arte à promoção de eventos culturais. Para ela, o ensino artístico vai além da sala de aula. “O contato com as diversas formas de arte é o que realmente desperta o fazer artístico e amplia a criatividade dos alunos”.
Vivências que marcaram o percurso
Durante sua passagem pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC) e pelo Centro Cultural 25 de Julho, Magda coordenou eventos voltados ao público infantil nas áreas de teatro, dança e música. “Ver a alegria e o prazer das crianças no teatro ou no palco foi uma realização”, conta.
A experiência se ampliou quando passou a atuar na Escola Municipal de Belas Artes Osvaldo Engel, onde trabalhou com oficinas de artes visuais e criação de cenários. “O Belas Artes entrou na minha vida como um grande presente. Estar em um espaço onde música, dança, teatro e artes visuais se integram é muito enriquecedor.” Entre 1996 e 1999, foi diretora da escola, período em que ampliou a presença da arte em diferentes espaços da cidade.
Arte nas escolas e nos muros
No ensino estadual, atuou em escolas que guarda com carinho, como o Colégio Professor Mantovani e a Escola Estadual Santo Agostinho, além de ter sido vice-diretora da Escola Municipal Luiz Badalotti. As dificuldades com materiais e recursos sempre estiveram presentes, mas não impediram projetos marcantes.
Uma das experiências mais significativas foi a pintura de murais coletivos. “Propus aos alunos pintar o muro da Escola de Belas Artes e, depois da pandemia, na Santo Agostinho, representamos o olhar dos estudantes sobre aquele momento tão difícil. Essa vivência ficou na memória de todos.”
Educar pela arte em tempos de mudança
Com mais de três décadas de atuação, Magda observa como a tecnologia alterou a dinâmica em sala de aula. “Antes, sem celulares, era mais fácil prender a atenção dos alunos. Hoje precisamos ser ainda mais criativos.” Ferramentas digitais como datashow e laboratórios de informática são, segundo ela, grandes aliados para levar os estudantes a museus virtuais e obras de destaque.
O ensino remoto, durante a pandemia, evidenciou a importância do professor presencial. “A escola é uma segunda casa. O contato diário, as trocas de sentimentos e experiências são insubstituíveis”, reflete.
A arte como linguagem universal
Para Magda, o papel do professor de arte é desenvolver habilidades, estimular a criatividade e permitir que o aluno expresse suas emoções, ideias e pensamentos. “Ser professor hoje é um desafio, mas também uma oportunidade incrível de inspirar e transformar vidas. A arte é uma linguagem universal, capaz de registrar a história das civilizações e conectar pessoas, culturas e gerações.”