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Especial

Uma vida dedicada à educação

Vera Barp Coffy relembra mais de quatro décadas de docência e reflete sobre os desafios e transformações do magistério

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Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

Filha de professores, Vera Barp Coffy cresceu entre livros, provas e conversas sobre a sala de aula. A vocação nasceu cedo, inspirada pela trajetória dos pais, especialmente do pai, professor Guilherme Barp, que lecionou no Colégio Estadual Professor Mantovani. “O entusiasmo, o dinamismo e o amor que ele tinha pelo que fazia me contagiaram, a ponto de eu querer ser professora, como ele”, recorda.

Sua primeira experiência no magistério aconteceu em 1983, lecionando Educação Artística e piano no Colégio Franciscano São José, após cursar piano erudito no Conservatório Francisco Manuel da Silva. No ano seguinte, ingressou na Escola de Educação Básica da URI Erechim, instituição à qual permanece vinculada até hoje.

Em 1989, passou no concurso do Estado e iniciou a carreira no Colégio Estadual Professor Mantovani, onde também havia estudado. “Foi uma alegria enorme poder lecionar na mesma escola em que fui aluna”, relembra. Paralelamente, atuou na Escola Municipal de Belas Artes, onde ocupou todos os cargos — de professora a diretora. “O piano sempre foi minha outra paixão, e na Belas Artes vivi experiências que marcaram profundamente a minha trajetória.”

Mesmo após aposentar-se pelo Estado, em 2019, Vera seguiu dando aulas na URI. “Uma sala de aula representa vida, amor e realização. Há uma troca permanente entre meus alunos e eu. Vale a pena apostar nessa carreira”, afirma.

Memórias que permanecem

Em 42 anos de profissão, Vera coleciona lembranças marcantes. “Recebi depoimentos emocionantes de alunos sobre minha disciplina e minha forma de ensinar. Uma vez, um deles me disse que só conseguiu compreender Filosofia por minha causa. Isso me fez sentir valorizada e me motivou a seguir aprimorando meu trabalho”, conta.

Entre os gestos que a emocionaram, destaca um projeto em que os estudantes escreveram mensagens personalizadas aos professores. “Um aluno me deixou um recado tão carinhoso que guardo até hoje”, relata. Também recorda o áudio de uma ex-aluna, hoje cantora, que agradeceu pelas palavras de incentivo. “Esses gestos são o verdadeiro reconhecimento do nosso trabalho.”

Educar ontem e hoje

Ao longo das décadas, Vera presenciou transformações profundas na educação. “Quando comecei, não havia celulares nem tecnologia. Hoje, os desafios são maiores, porque os alunos têm uma inteligência mais abrangente e rápida. Precisamos competir com o avanço tecnológico sem perder o foco humano”, avalia.

Ela compara o ensino do passado, centrado na memorização e disciplina, com o modelo atual, mais voltado à reflexão e à autonomia. “Antes, o professor era a figura central. Hoje, o aluno precisa desenvolver empatia, responsabilidade e respeito — valores que devem ser cultivados tanto quanto o conhecimento”, observa.

Sobre os estudantes atuais, ela reconhece a criatividade e o engajamento, mas também aponta desafios. “São jovens hiperconectados e ansiosos. Precisam aprender a lidar com as emoções e desenvolver espírito de equipe e capacidade de reflexão.”

A força transformadora da educação

Para Vera, o papel do professor vai muito além da transmissão do conhecimento. “O professor é o gerenciador da transformação política, cultural e social. Ele forma indivíduos conscientes de suas responsabilidades no mundo”, reflete.

Em sua visão, a educação precisa ser valorizada de forma concreta. “Deveria ser a carreira mais bem paga e reconhecida do país, porque todo o desenvolvimento começa pela educação.”

O futuro, segundo ela, exige políticas públicas eficazes, infraestrutura adequada e apoio emocional aos docentes. “A tecnologia deve andar junto com o componente humano e ético. Só assim teremos aulas mais criativas e prazerosas.”

Com serenidade e gratidão, Vera encerra com a lembrança do pai, seu maior exemplo: “Segui minha vocação de ser professora, e sei que meu pai teve grande influência nessa escolha. Como ele dizia: ‘Só a educação de qualidade livra o ser humano de toda a sorte de escravidão.’

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