Médica generalista formada pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI Erechim), Dra. Taina da Rosa Bourckhardt tem se destacado pela forma como une ciência, empatia e inovação em sua trajetória profissional. Integrante do corpo clínico do Hospital de Caridade de Erechim e atuante no Instituto Bravora, ao lado das médicas oncologistas Adriana Wilk e Daniela Cavalli, ela acaba de conquistar dois reconhecimentos importantes. O 1º lugar no Prêmio Prof. György Miklós Böhm, da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde (ABTms), e a apresentação de um estudo no ESMO 2025, o maior congresso europeu de oncologia, realizado em Berlim.
Da informática à medicina
Antes mesmo de vestir o jaleco, Taina formou-se como técnica em Informática pelo SENAI, experiência que despertou seu interesse por programação e sistemas inteligentes. “A programação me ensinou a pensar de forma estruturada, a buscar soluções lógicas para problemas complexos. Já a medicina me mostrou que cada caso clínico tem nuances humanas, emoções e contextos”, relata.
Durante toda a graduação, foi bolsista de iniciação científica, desenvolvendo projetos que unem tecnologia e prática médica, especialmente na oncologia, área pela qual nutre grande afinidade. Atualmente, cursa Inteligência Artificial e Computacional, buscando aprofundar ainda mais essa intersecção.
Telemedicina oncológica reconhecida nacionalmente
O projeto que rendeu o 1º lugar no Prêmio Prof. György Miklós Böhm foi desenvolvido a partir da metodologia científica Design Science Research e propõe uma plataforma de telemedicina personalizada para pacientes com câncer. A iniciativa busca oferecer um ambiente digital seguro e humanizado, permitindo consultas por vídeo, troca de mensagens, envio de exames e, principalmente, o monitoramento de sintomas em tempo real.
“Esse projeto propõe uma nova forma de acompanhar o paciente fora do ambiente hospitalar, com uma plataforma que permite agir antes que um problema se agrave”, explica a médica.
Por meio do sistema, o paciente registra diariamente sintomas como febre, dor ou fadiga, e o algoritmo emite alertas automáticos à equipe médica. Essa resposta rápida pode evitar complicações e reduzir internações. “É um recurso simples, mas com impacto real, que transforma o cuidado reativo em um cuidado antecipado”, completa.
Inteligência artificial no diagnóstico do câncer de mama
O segundo reconhecimento veio de Berlim, durante o congresso ESMO 2025, onde foi apresentado o pôster “A Deep Learning Approach for Mammography Analysis: Enhancing Breast Cancer Diagnosis with Convolutional Neural Networks”, desenvolvido em coautoria com a Dra. Adriana Wilk. O estudo aplica redes neurais convolucionais (CNNs) na leitura automatizada de mamografias, ampliando a precisão e a rapidez no diagnóstico do câncer de mama.
“A inteligência artificial aprende como um aluno aplicado, observando milhares de imagens e identificando padrões sutis. É o mesmo raciocínio do radiologista, mas processado em uma escala muito maior e mais rápida”, explica Dra. Taina. A tecnologia não substitui o olhar humano, o complementa. “Vejo como um diálogo de parceria. As máquinas lidam com dados; o médico, com pessoas. É uma soma, não uma substituição”.
Inovação com propósito
Unindo prática clínica, pesquisa e tecnologia, Dra. Taina defende que o futuro da medicina está na integração entre ciência de dados e empatia. “Acredito profundamente que a combinação entre ciência e sensibilidade humana é o caminho para uma medicina mais justa e acessível”, afirma.
A médica pretende expandir a fase de validação da plataforma de telemedicina e seguir desenvolvendo soluções voltadas à oncologia digital, em parceria com o Instituto Bravora.