Não se engane. Boa parte do que se publica nas redes hoje não é sobre compartilhar conhecimento, nem sobre inspirar o outro, muito menos sobre contribuir com o mundo.
É sobre ser visto. Ser notado. Receber o aplauso mudo de corações vermelhos e polegares para cima.
A selfie no espelho da academia, o “textão” no LinkedIn com tom profundo, o reels performático com frases motivacionais, até a dancinha no TikTok, tudo é cuidadosamente montado para projetar uma imagem idealizada de sucesso, inteligência ou outro atributo.
No fundo pulsa um desejo antigo travestido de modernidade: ser admirado.
Não estamos, muitas vezes, compartilhando algo porque acreditamos naquilo. Estamos apenas alimentando um personagem que dá retorno.
Likes são hoje a moeda da “nova egolatria”, e muita gente está rica de curtidas, mas pobre da “essência de conteúdo”.
Chamamos de “propósito”, mas é palco. Dizemos que é “conteúdo”, mas é vaidade disfarçada de virtude.
As redes tornaram-se vitrines do eu, onde cada um expõe seu melhor ângulo, sua frase mais brilhante, seu feito mais digno de reconhecimento.
Somos o personagem, tudo por medalhas. O problema não é postar. É o motivo de postar.
Se o que te move é o número de visualizações, o engajamento, o “parabéns, você é inspiração”, talvez esteja mais preocupado com o “saldo da conta corrente de likes” do que com o impacto real da comunicação.
E quando este mundo vazio passará? Logo ali. Quando tudo silenciar, quando o sentido que hoje procuramos nos aplausos digitais não tiver mais efeito.
A vaidade sempre existiu. Só ficou mais rápida, mais editada e mais carente de wi-fi.
O que restará quando a última curtida for dada, o algoritmo mudar e o feed seguir sem tua própria inteligência?
Então talvez voltemos a pichar muros, rabiscar cavernas, rascunhar desenhos e pendurar nas galerias, chamando de “arte”.