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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria - Mongólia – China – (15)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Depois da estadia num hotel de Irkutsk – Sibéria – voltamos ao trem e, logo após, de ônibus, viajamos para as proximidades do grande Lago Baikal. No caminho, a uns 40 km de Irkutsk chegamos a Kristovka, uma Aldeia Museu Etnográfico. Este está dentro de um forte de madeira, à beira do Lago. Ele recria lugares característicos dos habitantes de alguns séculos atrás- os mongóis da Sibéria. No século XVIII, chegaram os russos. Todas as Habitações, Escola, Igreja foram reconstruídas originalmente, em madeira, sendo preservados muitos dos objetos em exposição. No local, há lojas e cafés. Nestes, pudemos nos deliciar com um chá quentinho e panquecas recheadas com creme e frutos silvestres.

Após a visita ao Museu Etnográfico, fomos para Listvyanka – cidade próxima e junto ao Lago Baikal. O almoço foi no seu belo Hotel, onde foi servido o famoso peixe “Omul” originário das límpidas e geladas águas do Lago. Passeando pela beira do Lago, fomos conhecendo feiras de artesanato, bancas de peixe e de produtos agrícolas da região. Chegando, assim, a um cais e com “ferry-boat” atravessamos uma parte do Baikal para chegar ao nosso trem.

Mudando a rota do trem

Na manhã seguinte, o trem a partir da Estação Slyudyanka inicia um percurso diferente- são 126 km numa antiga ferrovia, a parte mais interessante da viagem. Da antiga ferrovia restaram somente os 126 km, pois o restante da mesma ficou submerso pela represa da hidrelétrica de Irkutsk, em 1956. O trecho de 87 km, à beira do lago de Kultuk ao Porto Baikal é considerado o mais bonito e a mais brilhante realização de engenharia de toda a transiberiana histórica. É o que resta da chamada ferrovia Circum-Baikal Ocidental, que até 1956 era percorrida. O trecho de 126 km é um beco sem saída, fora de uso pela Transiberiana atual, mas por onde passam os trens turísticos e os trenzinhos que fazem o abastecimento das aldeias locais.

Muita emoção nos 126 quilômetros

Esta rota circunda o Lago - a Circum Kaikal Railway – e o trem, andando lentamente, vai fazendo paradas para fotos. Em pequenos grupos, fomos convidados a ficar, bem na frente, ao lado das máquinas para melhor observar. A grandeza do lago impacta também pela beleza de suas transparentes águas. Uma suave aragem passava pelas faces e cabelos. O ar puro era leve e até parecia perfumado. Durante o dia todo ficamos a nos deliciar com esses momentos de encanto pela natureza. À tardinha, o sol já se pondo, o trem chegou ao terminal do Porto Baikal e entrou novamente no rumo da Transiberina.

Lago Baikal

Ele é o maior lago de água doce do mundo. Possui 1/5 da água potável do Planeta. De quatro a cinco meses por ano fica congelado numa espessura de 80 cm. Nesse tempo, serve de rodovia para encurtar caminhos e para muitos esportes de inverno. O Lago Baikal é o lago mais profundo existente – chega a 1 620 metros. Possui mais ou menos 600 quilômetros de comprimento. Rodeado por cadeias de montanhas cobertas de bosques intocados. Suas águas são de um azul profundo. Não é nenhum exagero ressaltar as suas belezas. Continuando pela rota da Transiberiana, o trem passa dentro do Parque Nacional Pribaikalsky, onde passa por 200 pontes e 33 túneis. Verdadeiras maravilhas da engenharia!

O Lago Baikal e a crença ao xamanismo

O Lago Baikal é um dos locais mais sagrados do Xamanismo: a Sibéria é o berço dessa crença. O Xamanismo é a busca do poder pessoal, anterior a todas as Religiões. O poder superior, Xamã, se liga à rede universal de poder que é encontrada em todos os elementos e seres vivos da natureza: animais, plantas e águas. Os habitantes da região acreditam que as águas do Lago Baikal estão plenas da energia que liga as pessoas aos seus antepassados, ao Universo, à Terra e aos Povos. Hoje, ainda são praticados alguns rituais xamanistas como o sacrifício de animais. Para os Budistas Tibetanos, que vivem nessa região do Lago, também o consideram sagrado.

Lendas e o Baikal

Existem várias lendas como: as Fadas dos Bosques, a Fada do Amor, Monstros anfíbios que engolem embarcações e outras mais. James Cameron, autor do filme “Avatar” inspirou-se no Lago e suas lendas para a sua produção. Todas essas informações foram obtidas nas nossas aulas diárias, no trem, na Sala de Didática, antes do jantar. Realmente, o Lago Baikal não deixa de ser misterioso!

Conclusão

As informações recebidas ainda foram tema de um vídeo que mostrou belíssimas imagens da região do Baikal: grande diversidade da flora e de flores típicas como a bela “Saranka” – um belo e grande lírio vermelho. Alguns animais da Região são espécies ameaçadas como o: “Esturjão do Baikal” que fornece as ovas para o “caviar rosa” – o mais valorizado. Diferente e estranha é a “Foca do Baikal” – a única existente em água doce e o “Urso Negro” que no final da primavera e do verão, caça os peixes que pulam nas águas e ainda gosta de roubar as colmeias, com mel, nas aldeias próximas.

Ao final desse emocionante dia, com todas as informações recebidas a nossa noite foi um tranquilo jantar. Completando, foi servido o peixe “Omul” defumado. Também, muito gostoso. No piano-bar, alguns amigos já não escondiam a vontade de dormir. O dia reservou paisagens hipnotizantes, cercadas de história, de beleza e com muita movimentação. O lendário trajeto da Transiberiana concretizou muito mais do que se esperava encontrar. A suave música da pianista levou uns até a sonhar e achar que estivessem nas nuvens.

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