A segunda-feira, 3 de novembro, começou com expectativa e terminou com emoção. Uma comitiva com cerca de 20 lideranças do Norte gaúcho desembarcou em Brasília levando na bagagem mais do que malas, levava um sonho de meio século: ver o asfaltamento da BR-153, a Transbrasiliana, finalmente sair do papel no trecho entre Erechim e Passo Fundo (68,4 km).
O grupo carregava também um dossiê robusto, chancelado por mais de 100 entidades da região, e do estado, que resgatava a história da rodovia e pedia à Bancada Gaúcha que escolhesse a obra como demanda prioritária no orçamento da União para 2026.
Um documento técnico e emocional, que traduzia em dados e sentimentos o que o asfalto representa: dignidade, desenvolvimento e futuro.
Da descrença à mobilização
Nos dias que antecederam o grande dia, o Jornal Bom Dia percorreu o mesmo caminho da comitiva — ouvindo 28 parlamentares e antecipando o debate. O objetivo era claro: colocar a BR-153 no centro das decisões políticas e transformar promessas antigas em compromisso real.
Dia intenso
A terça-feira, 4, foi intensa. Os representantes da região se dividiram em grupos e visitaram os gabinetes dos 31 deputados federais e três senadores gaúchos. Foram horas de conversas, explicações, apelos e esperança. Cada visita era uma aposta, cada olhar uma tentativa de sensibilização.
“Foi um dia extenuante, mas gratificante”
“Onde íamos, diziam que éramos os mais organizados. Foi um dia extenuante, mas gratificante. Estamos aqui em nome de uma região inteira que acredita e luta por essa obra”, relatou de Brasília Jackson Arpini, membro do Comitê Pró-BR 153, responsável pela elaboração do dossiê.
“É uma vitória coletiva”
O prefeito de Erechim, Paulo Polis, também integrou a comitiva: “Foi um movimento muito representativo. Não paramos das 8h às 17h, pedindo voto por voto. Foi pressão o tempo todo, mas conseguimos. É uma vitória coletiva”, afirmou.
O deputado estadual Paparico Bacchi, que estava em Brasília, pressionou os parlamentares do PL: “Nosso gabinete iniciou essa luta ainda quando o deputado Cherini coordenava a Bancada. A região ganha muito com essa obra”, pontuou.
Trabalho fundamental
A vereadora Márcia Balen Matte, presidente da Câmara de Aratiba, e o vereador Clairton Balen, de Erechim, também foram protagonistas dessa mobilização. Ambos estiveram à frente da audiência pública de 27 de junho, que reuniu autoridades, o deputado federal Paulo Pimenta (PT) e representantes do DNIT, marcando o início de uma nova fase para essa conquista.
A promessa do ministro
Pouco depois, em julho, o Ministério dos Transportes aprovou o projeto executivo da BR-153, elaborado pela Rudra Engenharia (GO), abrindo caminho técnico e político para o início da obra. A partir daí, reuniões e articulações se intensificaram, inclusive um encontro com o ministro Renan Filho, que sinalizou: “Se for prioridade da Bancada Gaúcha, o asfalto entra no Orçamento de 2026.”
Uma resposta a décadas de espera
A noite de 4 de novembro ficará marcada na história. Atrás de portas fechadas, deputados e senadores votaram as demandas gaúchas. Quando as portas se abriram, o anúncio veio como um grito de alívio: A Transbrasiliana foi a obra mais votada da Bancada Gaúcha, com 18 votos. Um marco. Uma conquista coletiva. Uma resposta a décadas de espera.
“Quando há maturidade política, quem ganha não somos nós, mas a população”
“Muitos dizem que é um movimento eleitoreiro. Nessa caminhada, não olhamos para bandeiras partidárias. E é assim que deve ser. Quando há maturidade política, quem ganha não somos nós, os políticos, mas a população”, concluiu o vereador de Erechim, Clairton Balen, que fez parte da comitiva e dos movimentos ao longo do ano
O próximo passo
Com a vitória na votação, a expectativa se volta para o Ministério dos Transportes, que já sinalizou incluir o projeto no Orçamento da União de 2026. O sonho que parecia distante ganha agora contornos reais de asfalto, progresso e união. Em Brasília, o Norte gaúcho mostrou ao Brasil que quando uma região se une, a história muda de direção.