O “Dia do Cabelo Maluco”: acho que tem RH que perdeu o fio da meada.
Vi recentemente várias empresas promovendo o chamado Dia do Cabelo Maluco. Algo que, nas escolas, até faz sentido: é lúdico, incentiva a criatividade, quebra a rotina das crianças, mas enlouquece as mães. Mas, em uma organização que persegue metas, resultados e desempenho, será que faz o mesmo sentido?
A provocação é simples: o tempo e a energia dedicados a ações simbólicas estão, de fato, gerando engajamento real? Ou estamos apenas criando uma sensação de leveza artificial, uma pausa divertida que se confunde com propósito e que, no fim, mais distrai do que conecta?
Engajamento não nasce de uma fantasia colorida, mas de liderança coerente, reconhecimento, autonomia, propósito e pertencimento. É construído no dia a dia, no diálogo transparente, na clareza das metas e na justiça das decisões.
O risco é cair na armadilha da “gestão de popularidade”. RHs e líderes gastando tempo com modinhas que geram fotos bonitas no LinkedIn,
mas não mudam o comportamento nem os resultados. Afinal, melhor cabelo maluco ou cabeça de dono?
Será que não estamos confundindo engajamento com entretenimento? Será que não estamos mascarando o desinteresse das pessoas com distrações?
Não é sobre abolir a leveza no trabalho, ela é necessária. Mas é preciso lembrar que ambiente saudável é consequência de uma cultura madura, e não de uma agenda de eventos infantis temáticos.
O desafio é outro: criar significado, não apenas momentos engraçados.