Dia 15 teremos a abertura oficial do Natal em Erechim, lembrando que o final do ano está chegando e, neste período, os sintomas de ansiedade e estresse em grande parte da população costumam se intensificar. Para a psicóloga e professora da URI, Letícia Ribeiro S. Pinheiro, esse aumento está ligado tanto às cobranças pessoais quanto às pressões culturais e sociais.
A sociedade vive uma cultura ansiogênica, tanto no trabalho quanto nos relacionamentos e “em dezembro, essa ansiedade tende a se elevar ainda mais, com o encerramento do ano, compromissos escolares, confraternizações, compras e o consumo excessivo”, explica Letícia.
Além das demandas práticas, o fim do ano desperta sentimentos complexos nas relações familiares. “Muitas vezes, as pessoas se reúnem por obrigação, não por vínculo verdadeiro, e isso gera desconforto e ansiedade”, pontua.
Sinais de alerta e impactos na saúde mental
Entre os sintomas mais comuns estão a insônia, alterações no apetite, dificuldade de concentração e uso excessivo de álcool como forma de aliviar tensões. Esses comportamentos, segundo a psicóloga, prejudicam o descanso e comprometem a saúde mental.
Letícia alerta que o descanso real depende mais da qualidade do tempo do que da quantidade de dias de recesso. “Precisamos entender que o fechamento de um ciclo é do calendário, não interno. Cada pessoa tem seu próprio tempo para encerrar processos e definir novos objetivos”, afirma.
Redes sociais e a busca por aparência de felicidade
As redes sociais também exercem papel importante no aumento da ansiedade durante o período. A exposição constante a imagens de festas, viagens e famílias unidas pode criar uma sensação de comparação e inadequação.
De acordo com Letícia, a necessidade de “mostrar” felicidade muitas vezes substitui a vivência genuína do momento. A correria por boas fotos, a pressão por viajar ou participar de eventos sociais faz com que o descanso se torne superficial e cansativo.
Letícia lembra uma frase conhecida na psicologia: “todo excesso esconde uma falta”. O comportamento de comprar, consumir e exibir mais do que se tem pode estar relacionado a carências emocionais e à dificuldade de lidar com a própria realidade. Por isso, ela ressalta a importância de um olhar introspectivo, de buscar autoconhecimento, reduzir comparações e valorizar experiências simples que proporcionem bem-estar e equilíbrio emocional.
Cuidados e busca por ajuda profissional
O Brasil está entre os países que mais consomem ansiolíticos e antidepressivos no mundo, o que demonstra a dimensão dos problemas de saúde mental. Apesar disso, o país conta com uma ampla rede de atendimento psicológico, tanto pública quanto privada.
O Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo número 188, oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. Há também plataformas online com atendimento a custos acessíveis. A psicóloga recomenda atenção aos sinais persistentes de tristeza ou ansiedade após o fim das festas. Caso os sintomas continuem, é indicado buscar acompanhamento profissional.
Diagnósticos e automedicação
Letícia alerta ainda para o aumento de diagnósticos populares de transtornos como o TDAH e o autismo. Segundo ela, o uso indevido de termos clínicos e a automedicação são práticas perigosas, pois apenas profissionais qualificados podem realizar diagnósticos corretos e prescrever tratamentos adequados.