Há anos, que não ocorrem surpresas nas eleições da Câmara de Vereadores de Erechim. No passado quando o voto era secreto, vi candidatos com o discurso pronto no bolso, e após o escrutínio, colegas que prometeram o voto, escolheram outro nome.
Discussões verbais e abandono da reunião
Na manhã de ontem, 11, reunião de vereadores da base aliada do governo Polis e Flávio, ocorrida no Legislativo erechinense, teve clima tenso e discussões verbais, motivados pelas eleições para presidente do Legislativo para 2026. Tem vereador que abandonou a sala, na hora da reunião. O que motivou as discussões foi a possibilidade de mudança no acordo feito em dezembro do ano passado, levando em conta o desempenho dos partidos nas urnas.
O que diz o acordo de dezembro de 2025
Naquele momento ficou definido que no 1º ano (2025) a presidência ficaria com o MDB; 2º ano (2026) com o PSDB; 3º ano (2027) com o União Brasil: e o 4º ano (2028) será analisado pelos partidos quem será o nome.
Acordo entre partidos que apoiaram Polis e Flávio
Esse acordo foi com os partidos que apoiaram Polis (MDB) e Flávio (PSDB) nas eleições de outubro do ano passado. Após o pleito, iniciaram negociações, e antes de anunciar os nomes do primeiro escalação do governo, foi anunciado o ingresso dos Progressistas no governo. E como o partido tem dois vereadores e uma secretaria, ao natural pode ser o partido que comanda o Legislativo no último ano da atual legislatura, desde que se mantenha fiel ao governo. E é assim que a banda toca na política: benesses em troca de apoio, e vale para todas as siglas.
A água no chopp do acordo
A água no chopp do acordo começou a ser colocada no final de julho deste ano. O vereador eleito pelo PSDB, Emerson Schelski, que se licenciou para assumir a secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo, passou a defender uma mudança no acordo, e sugeriu que o 2º ano (2026) seja entregue aos Progressistas e no último ano (2028), passaria a ser do PSDB, momento que deixaria a secretaria, para retornar ao Legislativo e concorre à presidência. E está no direito dele, buscar os espaços, mas para tal mudança é exigida muita articulação. Só que os outros, legitimamente tem seus interesses, e o avanço no intento, esbarra em uma série de variáveis.
Primeira variável
A primeira é que vereadores do seu partido, também estão de olho na presidência, mas no ano que vem, quando ele não estiver na Câmara. Entre eles, Carlinhos Magrão.
Segunda variável
É necessário poder de convencimento nos demais partidos da base aliada, que somam 14 vereadores, para evitar um racha entre eles.
Terceira variável
Os demais partidos precisam aceitar que seja o Progressistas no ano que vem. E essa é a questão que precisa ser resolvida antes de qualquer questão, além de ser um ano eleitoral, que dá visibilidade ao presidente.
Quarta variável
Na negociação já existente para os quatro anos, o acordo da mesa diretora, prevê de quem são os cargos a cada eleição. E uma troca agora, acarreta uma mudança nesses cargos, já que muitos ficam a critério do presidente.
“Mantenho meu desejo de querer ser presidente”
Quando fiquei sabendo da reunião, entrei em contato, com o secretário Emerson Schelski. Me afirmou que ficou sabendo da reunião, mas não sabia o teor do ocorrido: “Mantenho o meu desejo de querer ser presidente no quarto ano (2028) e já externei esse desejo a muitas lideranças partidárias e inclusive internamente dentro do meu próprio partido o PSDB e tenho apoio da Executiva Estadual e dos Deputados Lucas Redecker e Nadine para isso.
Mais de 30 dias de muita conversa
A eleição do novo presidente para 2026, será na última sessão ordinária do ano, marcado para o dia 16 de dezembro. Nesses pouco mais de 30 dias, que faltam para a escolha, muita conversa será necessária, caso contrário o acordo pode cair por terra.