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Opinião

Futebol, pra quem?

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Marina Oliveira
Por Marina Oliveira – estudante de jornalismo
Foto Marina Oliveira

“Futebol é para homens, não para meninas”, foi o que disse o então técnico do Inter, Ramon Díaz, durante coletiva de imprensa no sábado, 8, após o empate colorado contra o Bahia. Com a repercussão, tanto Clube quanto treinador se manifestaram, alegando equívoco na fala. Embora isso muito me revolte como torcedora, aqui me limitarei a falar de futebol — sem clubismo.

Historicamente, esse ambiente, o do futebol, foi e tem sido hostil, principalmente para nós, mulheres. Não basta torcer ou jogar, é necessário listar a composição da equipe titular e de todos os relacionados, o que configura impedimento e qual posição cada um dos onze ocupa; como se tais informações fugissem da nossa compreensão, afinal, somos tão limitadas!

Deixando claro aqui que não é demérito algum não saber o que significa escanteio ou sabe-se lá qual questão de conhecimentos gerais do esporte será abordada assim que uma mulher disser que torce pra determinado time ou que, apenas, gosta de futebol. Se for mulher, é necessário provar, sempre, vasto saber em qualquer área que demonstre interesse.

O mais arriado disso tudo é que, se futebol é de fato “coisa de homem”, os onze em campo, como também o restante fora dele, e aqui incluo direção e comissão técnica, parecem não ter crescido. São só garotos, e muito mimados por sinal.

Está claro que falta conhecimento, mas por parte do “professor” Ramon Díaz, que ocupa cargo na equipe profissional de um dos clubes do país com a maior participação percentual de mulheres no quadro social, que configura entre as grandes equipes femininas de futebol do Brasil, possui organizada composta somente por mulheres e, inclusive, vai sediar a Copa do Mundo Feminina em 2027.

Mesmo com o pouco investimento e condições nada favoráveis, as equipes femininas do país se mantêm brigando por espaço, resistindo e, principalmente, lembrando esse, que é conhecido como o país do futebol, o que é, de fato, o bom futebol. Sem fazer cena mas entregando espetáculo.

Cavar falta e cartão por conta de jogo de aposta, desrespeitar a arbitragem e fazer do campo limite onde não há regras para quem tem fama não é para as gurias mesmo.

Para nós o que vale é o jogo limpo, torcer e cantar por 90 minutos, sem parar. Sempre estivemos aqui, e seguimos, ainda que tentem nos afastar, como tanto já foi feito, como ainda fazem. Esse lugar é nosso, seja no campo, nas arquibancadas, na narração e análises ou na cobertura esportiva. Resistimos, porque quem decide o que é, ou deixa de ser, assunto nosso, somos nós, e só.

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