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Opinião

Começou a COP 30 na Amazônia

Embrapa divulga pesquisas que sepultam o negacionismo

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Roberto Ferron
Por Engº Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

O Governo Federal procurou fazer o possível e o impossível para realizar a melhor COP de todos os tempos. E a indicação do estado do Pará foi para reunir todos os países a fim de conhecer a nossa famosa floresta amazônica.

O presidente Lula, em sua astúcia, propôs a criação do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF), cuja meta seria arrecadar US$ 125 bilhões para estimular a proteção ambiental. Trata-se de uma iniciativa global, proposta pelo governo brasileiro, criada para proteger e conservar as florestas tropicais do mundo.

Muitas entidades ligadas ao agro brasileiro estão apreensivas, pois preveem que, por trás de boas intenções, haja uma pauta implícita de “tratar a agricultura brasileira como a grande vilã da poluição mundial e adotar uma política futura restritiva ao agronegócio”. Segundo a própria ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ela o chama, de forma pejorativa, de “ogro negócio”.

Até a cantora Anitta, agora intitulada “cientista da ecologia”, está dando pitaco de plantão, divulgando coisas absurdas, como que “o pum da vaca e seus gases são os grandes poluentes da atmosfera”. Assim como o presidente da França, Emmanuel Macron, que posa de “amigo do Lula e da Janja”, mas ambos descem o pau no agronegócio brasileiro. Agora, no maior poluidor do planeta, que é a China, ninguém diz nada!

No primeiro dia da 30ª Conferência sobre o Clima das Nações Unidas (COP 30), a Unidade Territorial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou a atualização do estudo sobre Atribuição, Ocupação e Usos das Terras. O levantamento mostrou que o Brasil tem 65,6% do território preservado. Somente os imóveis rurais detêm 29% de toda a vegetação nativa conservada no país.

“Você tem, para cada hectare utilizado para a produção de alimentos, fibras e bioenergias, 2,1 hectares de áreas verdes”, destacou o chefe-geral da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti. “São 246,6 milhões de hectares preservados pelos produtores”. Os números levam em consideração uma junção de bases de dados, como o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a Plataforma Terraclass, o MapBiomas e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Spadotti explicou que, “a partir dos dados declarados no Cadastro Ambiental Rural (CAR), 3,4% do território nacional está conservado com as Áreas de Preservação Permanente (APPs), que são beiras de córregos e rios, áreas de declive e topos de morros, por exemplo. Outros 17,9% são mantidos como Reserva Legal. Ainda há 7,7% da área do país que está dentro das propriedades e não foi desmatada, o chamado excedente de vegetação nativa”.

“O Estado brasileiro tem preconizado ações para remunerar e recompensar esses produtores rurais que têm um excedente. O Código Florestal preconiza que, quando forem instituídas as cotas de reserva ambiental, quem tiver devendo uma cota pode negociar o seu déficit com quem tem um excedente. Então, isso pode se tornar um ativo, até financeiro, para os produtores rurais”.

O estudo também atualizou os números referentes ao uso da terra para finalidades agropecuárias. Ao todo, 31,3% do território nacional é utilizado para isso, ou seja, 266,3 milhões de hectares. Desse total, 165,1 milhões de hectares são de pastagens (19,4%), 91,9 milhões são lavouras (10,8% do país) e 9,3 milhões são da silvicultura (1,1%).

Os demais 65,6%, ou seja, 564 milhões de hectares, são áreas destinadas à proteção, preservação e conservação da vegetação nativa. Dentre esse total, áreas protegidas em áreas militares e unidades de conservação integral ocupam 19,7%; unidades de conservação de uso sustentável, 6,5%; áreas destinadas à preservação e conservação da vegetação nativa nos imóveis rurais, 29%; vegetação nativa em terras devolutas e não cadastradas, 10,4%; e, além disso, rios e lagos ocupam 2,2%; outros (cidades, estradas etc.), 0,9%.

“É um caso único no mundo: um país dessa dimensão continental que consegue dedicar para uso agropecuário 31% do seu território, mas mantendo vegetação nativa em 65%”, comentou o chefe-geral da Embrapa Territorial. Fonte: https://agro.estadao.com.br/agro-na-cop30/53-paises-apoiam-fundo-florestas-tropicais-para-sempre

Esses dados desmontam as “narrativas negacionistas e fake news” de certas autoridades que costumam divulgar dados e informações falsas e, o pior, falar mal do seu próprio país.

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