Entre fios, histórias e resistências, a trancista Francieli Santos da Silveira transformou seu talento ancestral em reconhecimento estadual — e, na 42ª sessão legislativa, recebeu das mãos da vereadora Sandra Picoli (PCdoB) os Votos de Congratulações pela conquista do 1º lugar no Concurso Trancista Afro RS, realizado no dia 9 de novembro, na FENAC, em Novo Hamburgo.
Ao justificar a homenagem, a vereadora destacou a alegria de acompanhar a trajetória de Francieli, mulher que sempre batalhou pela família e que, neste ano, viu sua profissão ganhar ainda mais significado com a oficialização da atividade de trancista na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), sob o código 5161-65.
Sandra lembrou que a regulamentação reconhece técnicas manuais e específicas — como dreads, twists e tranças nagô — e representa uma conquista coletiva, fortalecendo direitos trabalhistas, combatendo o racismo estrutural e valorizando a cultura afro-brasileira.
A parlamentar também reverenciou a recente vitória da trancista no concurso estadual. “Além da conquista do reconhecimento da profissão, Francieli também alcançou o 1º lugar no Concurso Trancista Afro RS. Por isso, solicitamos a entrega de Votos de Congratulações por esta importante conquista”, afirmou.
A história de Francieli é profundamente marcada pela ancestralidade. Filha de baiana, cresceu vendo a mãe trançar os cabelos da família. Aos 12 anos, já trançava os seus e os de amigas e vizinhos, embora ainda não imaginasse que aquele dom se tornaria sua profissão.
A virada aconteceu em 2017, quando, mãe solo e desempregada, decidiu apostar no talento que carregava desde a infância. A resposta foi imediata: logo toda Erechim queria saber quem fazia “aquele cabelo”. O que começou como alternativa, tornou-se oportunidade — e, pouco tempo depois, sua agenda já era exclusivamente dedicada às tranças.
Hoje, Francieli é reconhecida como uma das profissionais mais respeitadas de sua área, referência na região e símbolo de representatividade. Seu trabalho é pautado não apenas em técnica e arte, mas também no resgate da autoestima de mulheres negras e na afirmação da identidade afro-brasileira.
Durante a homenagem, ela destacou o significado do reconhecimento público: “Eu, mulher afro, mãe solo e periférica, agradeço a homenagem.”
E, já sabe como parte do prêmio será utilizada: ela pretende investir na profissionalização de meninas que se inspiram em sua trajetória, contribuindo para que novas mulheres ingressem no mercado de trabalho e ampliem o legado iniciado ainda na infância, ao lado da mãe.