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Opinião

Coelhos

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Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Eliel, diretor de uma cooperativa cliente, me contou uma história daquelas que a gente devia ouvir tomando café no balcão da venda do interior do Paraná.

Aos 9 anos, ele queria montar um negócio revolucionário: vender coelhos.

Um belo dia, apareceu um coelho na pequena propriedade da família.

Ele e o pai imediatamente montaram uma operação digna de filme, estratégia dos três cantos, cerco tático, objetivo claro, capturar o coelho e iniciar o império agropecuário.

Resultado? O coelho escapou pela mata, rindo (coelho ri, só que por dentro).

Coelho perdido, negócio frustrado. Mas empreendedor não desiste. Aproveitando uma viagem do pai, Eliel juntou uns trocados, comprou um coelho do vizinho e voltou para casa com o “troféu” dentro de um saco.

Mostrou ao pai, bancou o herói, disse que havia pego o fugitivo sozinho.

O pai ficou impressionado. Nascia ali um pequeno negócio e uma aula prática de marketing, supply chain e, digamos, criatividade fiscal.

Décadas depois, já adulto, Eliel confessou tudo ao pai, agora com 80 anos.

O velho ficou surpreso com o golpe, mas resumiu a vida empreendedora em uma frase definitiva: “Apesar de você ter mentido, fico feliz porque deu certo.”

Hoje Eliel tem dois filhos. A filha o convenceu a patrociná-la numa viagem de estudos aos EUA para aperfeiçoar o inglês. Voltou fluente, montou um negócio com o irmão e só recentemente Eliel descobriu que ela já falava inglês antes de viajar.

Golpe hereditário. Conseguiu o “paitrocínio” para elaborar o plano de negócios, conhecer fornecedores e começar a empresa. Eliel foi “enganado” como enganou o pai. E tudo por um bom motivo, empreender.

No mundo da consultoria e dos conselhos que acompanho, vejo isso demais. Toda empresa nasce com um pouco de coragem, iniciativa e, claro, uma pitada de cara de pau logística.

Alguns executivos até cansam de discutir, de convencer investidores e às vezes arriscam pela pura convicção (ou preguiça de explicar). Tiram alguns “coelhos da cartola”.

Quando dá certo, ótimo.
Quando admitem a malandragem, melhor ainda.
Assumir riscos é legal. Inventar seus coelhos também.

Só não vale arriscar o dinheiro dos outros sem transparência. Já temos problemas demais de compliance.

Eu gosto da ideia de buscar os coelhos com chance real de sucesso. Temo pelo dinheiro dos acionistas.

Então, entre erros, acertos e umas histórias boas para reflexão, sem juízo de valor, deixo a reflexão:

Qual é o teu coelho?

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