Quando eu penso no jornal impresso, volto direto à infância. Eu devia ter uns seis, sete anos, e todo domingo ia com meu pai até o jornaleiro comprar o jornal. Era o meu momento da semana, porque junto com o jornal, eu ganhava um picolé (Chicabom - lembro até hoje do sabor). Essa lembrança simples, de caminhar com ele e voltar pra casa com o jornal debaixo do braço, ficou guardada como um símbolo de carinho e de rotina.
Mais adiante, na adolescência, o jornal voltou a ter importância quando comecei a me preparar para o vestibular. Era ali que eu buscava os editais das provas, as datas, as notícias sobre as universidades. Foi também o início do meu hábito de leitura diária, tentando entender o que acontecia no mundo e o que era realmente verdade.
O jornal sempre teve esse papel de filtro, de ajudar a gente a se orientar num mar de informações. E continua tendo.
Hoje, vejo o jornal impresso como uma ferramenta essencial para manter viva a comunicação local. Enquanto nas redes sociais tudo é passageiro e muitas vezes superficial, como um desespero pela nossa atenção, o jornal ainda é o espaço onde a comunidade se reconhece, onde as histórias da nossa cidade e região ganham importância e registro.
Em meio a tanta informação dispersa, o jornal impresso continua sendo, pra mim, o meio mais confiável de se informar, especialmente sobre o que acontece perto da gente.