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Descarte das telhas é alvo de denúncia em Erechim

Comunidade procura Ministério Público sobre possibilidade de crime ambiental na Central de Britagem. Secretaria de Meio Ambiente afirma que material está sendo levado em espaço provisório para posterior destinação final

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“O bota-fora está, justamente, neste contexto. É um espaço provisório"
Central de Britagem
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Guardiões do Bioma Erechim

O temporal de granizo de 23 de novembro deixou um rastro de prejuízos e destruição no município de Erechim e toneladas de entulhos, que ainda estão sendo retirados das moradias, prédios e empresas. Os resíduos são compostos por cadeiras, colchões, eletrodomésticos, móveis, telhas de barro, fibrocimento e amianto, e muitos outros resíduos de plásticos, vidros, lata. Em meio à reconstrução da cidade, o descarte correto destes materiais se tornou outro grande problema para munícipes e o Poder Público.     

Sete ecopontos

Conforme o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, o governo federal, por meio da Defesa Civil, liberou R$ 376 mil para o município de Erechim usar na limpeza da cidade, no pós-granizo. “Para todo esse volume extraordinário de entulhos, telhados, materiais volumosos que foram gerados, como perda dos móveis, eletroeletrônicos, linha branca e assim por diante. Pra estabelecer isso o mais rápido possível, abrimos, em parceria com associações de moradores, seis ecopontos transitórios, nos locais mais atingidos e o nosso ecoponto principal. Então, estamos trabalhando com sete ecopontos de recolhimento, que ficarão abertos até o dia 17 de janeiro”, afirma o secretário.

Ele acrescenta que o material depositado nos ecopontos já está sendo levado para aterro industrial pela empresa CETRIC, contratada com recursos municipais para dar destino final a estes entulhos.

Telhados

Com relação aos telhados, explica o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, tendo como base a orientação da Defesa Civil Nacional, e, obviamente, das práticas do que se conhece desta área, no dia a dia, foi estabelecido a Central de Britagem da prefeitura como um bota-fora provisório, porque é para resíduos de construção civil. “O que é esse bota-fora provisório? Você leva todo esse material para um espaço público para depois avaliar qualquer tipo de política de destinação final”, ressalta ele.

Guardiões do Bioma Erechim

O fundador do grupo Guardiões do Bioma Erechim, André Leandro de Almeida, integrante do Grupo Natureza é Vida, e presidente da Associação de Moradores do Bairro São Cristóvão, realizou um vídeo sobre o descarte das telhas, segundo ele, de forma ilegal e criminosa, na pedreira da prefeitura.

“O vídeo está bem explicado e mostra o que está acontecendo, da forma inadequada que estão transportando, os funcionários públicos sem máscara, sem proteção alguma, sendo que o amianto é cancerígeno, é considerado contaminante de Classe 1. Então, tem vários problemas nesta questão”, observa.

Ele ressalta que o grupo Guardiões do Bioma Erechim fez uma denúncia de crime ambiental, por escrito, ao Ministério Público e, também, no Conselho Nacional do Ministério Público, no dia 16 de dezembro.

Secretaria de Meio Ambiente

O secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, afirma que se trata de um espaço de armazenamento provisório. “Na crise, tem que se estabelecer um transbordo provisório, alinhado, inclusive, com a orientação da Defesa Civil Nacional. Precisávamos limpar a cidade e de um local provisório de armazenamento”, comenta Cristiano.

12 equipes

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira, atualmente, a prefeitura tem 12 equipes de limpeza, seis contratadas e seis da prefeitura, mas todas elas com recursos do município. “Os R$ 376 mil já foram usados para limpeza inicial nos dez primeiros dias, não vão resolver todo o problema. Pelo contrário, vamos ter que destinar, ainda, um volume razoável de recursos para restabelecimento e limpeza de toda cidade”, destaca o secretário.

Fibrocimento

A extração, processamento e industrialização do amianto de qualquer tipo está proibido no Brasil, desde 2017. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal manteve a proibição porque a exposição ao amianto está relacionada à ocorrência de diversas doenças, como câncer.

“Há necessidade de preocupação e gerenciamento. E o bota-fora está, justamente, neste contexto. É um espaço provisório para que depois se defina o gerenciamento e o destino final desse material”, observa o secretário. 

 

Eco Ponto e locais de descarte

 

Eco Ponto da Rua Carlos Demoliner, 540 – bairro Linho

 

Pontos adicionais de descarte:

 

Antiga Fundação Cotrel — Rua Júlio Trombini

Campo do Flamengo — Capoerê

Sede da Associação dos Moradores do Presidente Vargas — Rua Belo Cardoso

Sede da Associação dos Moradores do São Cristóvão — Rua Dr. José Bisonin

Esquina da Praça do CEU (bairro Progresso) — Rua Santa Bárbara

Sede da Associação dos Moradores do Paiol Grande — Rua Augusto José Conte

 

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