Desde a última semana, o município de Erechim passou a ofertar gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. O imunizante tem como principal objetivo proteger bebês contra formas graves de bronquiolite e pneumonia, doenças que estão entre as principais causas de internação infantil.
Vírus Sincicial Respiratório (VSR)
O Vírus Sincicial Respiratório é um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês e crianças pequenas, especialmente da bronquiolite. Segundo a pediatra, o vírus atinge diretamente as vias aéreas inferiores.
“Considerando os bebês que têm um pulmão ainda menor, isso traz uma dificuldade ainda maior e uma doença potencialmente mais grave nos bebês”, explica a médica pediatra, Dra. Beatriz Ritter Kirst de La Canal.
Em adultos, a infecção costuma ser leve, muitas vezes confundida com um resfriado ou alergia. No entanto, essa característica facilita a transmissão para bebês, que podem evoluir com quadros graves.
Impacto do VSR na prática pediátrica
Dados apontam que cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças são causados pelo VSR. Para a médica, esses números evidenciam a gravidade do problema, especialmente durante os meses de inverno.
“Então além do evento agudo, a gente tem um impacto também de uma doença que tem uma possibilidade de se tornar crônica”, destaca a Dra. Beatriz, ao lembrar que bebês acometidos precocemente têm maior risco de desenvolver problemas respiratórios recorrentes ao longo da infância.
A dificuldade no tratamento e a importância da prevenção
Diferentemente de outras infecções, a bronquiolite não possui tratamento específico. O cuidado é feito apenas com medidas de suporte.
“A bronquiolite é uma grande pedra no nosso sapato. A gente vê o paciente piorando na nossa frente e não tem nada que eu consiga fazer”, relata a pediatra.
Até recentemente, a principal forma de prevenção medicamentosa disponível no SUS era o uso do Palivizumabe, restrito a prematuros extremos e crianças com comorbidades. Com a chegada da vacina para gestantes, o cenário muda de forma significativa.
“A chegada da vacinação para as gestantes é realmente uma grande esperança de que o nosso próximo inverno seja muito melhor”, afirma a médica.
Como a vacina protege o bebê ainda na gestação?
A vacina é aplicada na gestante, mas a proteção é direcionada ao bebê. Isso ocorre por meio da transferência de anticorpos pela placenta.
“A vacina é o vírus inativado. Então, muitas vezes, as mães têm preocupação de desenvolver a doença, mas não existe essa possibilidade”, esclarece a Dra. Beatriz.
Os anticorpos produzidos pela mãe protegem o bebê principalmente nos primeiros seis meses de vida, período de maior risco para complicações graves.
“Um recado para as gestantes é para não deixar para a última hora”, alerta a médica, reforçando que são necessários cerca de 14 dias para que a imunidade seja plenamente transferida ao bebê.
Quem pode receber a vacina nas UBSs?
De acordo com a enfermeira Juliana Feixe, “todas as gestantes residentes em Erechim, com mais de 28 semanas de gestação, podem receber a vacina em qualquer Unidade Básica de Saúde do município”. Ela reforça que não importa se o pré-natal é realizado na rede pública ou privada, “toda a gestante tem o direito de receber essa vacina”.
Organização da oferta e documentos necessários
Neste primeiro momento, o município recebeu cerca de 345 doses, distribuídas entre todas as UBSs. “Nós realizamos uma distribuição em todas as unidades do município, então, todas as unidades estão abastecidas”, salienta a enfermeira.
Gestantes que já realizam o pré-natal na rede pública devem levar a caderneta da gestante e um documento de identificação. Já aquelas sem vínculo com a unidade precisam apresentar CPF, Cartão SUS, caderneta da gestante e comprovante de residência para cadastro.
Um marco para a saúde pública
No âmbito particular, a vacina pode custar cerca de R$ 1.500. Para Juliana Feixe, a disponibilização pelo SUS representa um avanço histórico. “Na minha opinião, essa vacina é um marco histórico para a saúde pública. É uma conquista do SUS e da comunidade”, afirma.
Somente em 2025, o Brasil registrou mais de 35 mil internações relacionadas à bronquiolite e pneumonia causadas pelo VSR.
Segurança da vacina e aplicação junto a outras doses
A vacina é considerada segura e pode ser aplicada junto com outras vacinas do pré-natal, como Influenza, Covid-19 e dTpa. “É uma vacina muito segura. As reações adversas são reações locais”, destaca a médica.
Segundo ela, a aplicação simultânea facilita a adesão ao calendário vacinal e amplia a proteção tanto da mãe quanto do bebê.
Proteção após os seis meses e outras estratégias
A proteção conferida pela vacina é mais importante nos primeiros seis meses de vida. Para crianças com comorbidades, existem outras estratégias, como anticorpos prontos, a exemplo do Palivizumabe e, futuramente, do Nirsevimabe. “Mas aí é uma estratégia diferente, porque ele não é uma vacina, já é um anticorpo pronto”, explica a Dra. Beatriz.
Vacinar é um ato de amor
Para a enfermeira Juliana Feixe, a vacinação vai além da prevenção de doenças. “A vacina é um ato de amor. Uma forma de demonstração de amor e cuidado de um pai e uma mãe para uma criança é manter a caderneta de vacinação em dia”, afirma.
Ela reforça que o imunizante já vem sendo estudado há mais de uma década e tem uso aprovado em outros países desde 2023.
Um apelo final às gestantes
A Dra. Beatriz coloca que “ver um filho sofrendo, internado, é muito doloroso para uma mãe. Então, a gente conseguindo a prevenção, podendo dar esse melhor para um filho, eu acho que não tem o que justifique não fazer a vacina”, conclui.
A vacinação contra o VSR já está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde de Erechim. Gestantes a partir da 28ª semana devem procurar a UBS mais próxima e garantir essa proteção para si e para seus bebês.