Na semana de fechamento das atividades da UFFS no ano de 2025, ocorreu uma importante ação de extensão, promovido de forma conjunta pela ÚNICA – União Nacional Indígena das Comunidades Ameríndias, pela coordenação do projeto PLANAB (Plano Nacional de Abastecimento Alimentar) no RS e o Observatório social e ambiental da Soja do Conesul – SOYACENE, ambos vinculados à Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS.
A ação ocorreu no dia 15 de dezembro de 2025 e representou uma integração entre territórios indígenas do Norte do Rio Grande do Sul, organizações públicas e entidades indígenas.
Os encontros ocorreram nas comunidades Kaingangs Serrinha (Três Palmeiras) e Rio da Várzea (Liberato Salzano), com o objetivo de promover escutas ativas visando promover cooperações para a transição sustentável dos sistemas agroalimentares indígenas. Nas visitas in loco, várias demandas foram apresentadas, especialmente: trabalhos com apicultura e criação de Abelhas Nativas Sem Ferrão; implementação de Sistemas Agroflorestais; quintais produtivos agrobiodiversos com foco para a segurança alimentar e a produção de plantas bioativas; fruticultura e produção de erva-mate com vistas a geração de renda e certificação dos Sistemas Orgânicos de Produção; assim como, ações na área da educação e da saúde dos povos indígenas.
Estiveram presentes representantes das seguintes organizações: Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS, Campi Erechim e Chapecó), Instituto Federal Farroupilha (IFFar, Frederico Westphalen), Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA, Superintendência do Rio Grande do Sul), União Nacional Indígena das Comunidades Ameríndias (ÚNICA), Prefeitura municipal de Três Palmeiras, Rede Ecovida de Agroecologia, Observatório Social e Ambiental da Soja do Cone Sul (Soyacene) e Comissão de Produção Orgânica (CPorg-RS).
Para o prof. Dr. Valdecir J. Zonin (um dos Coordenadores do PLANAB RS – MDA/UFFS), o passo seguinte é a construção conjunta de um plano de trabalho e de ação visando colocar em prática mudanças nos sistemas produtivos, desejados pelas próprias lideranças e participantes dos encontros e em comum acordo com as organizações que estiveram na ação. O movimento indígena local, vislumbra a necessidade de melhorias nas rendas para as famílias, com ampliação das oportunidades produtivas e acesso aos mercados, mas não abrindo-se mãos de sistemas produtivos que preservem a sustentabilidade ambiental, uma meta da agenda 2030 e dos objetivos do desenvolvimento sustentável. O professor também participa das ações da subcomissão estadual da Assembleia Legislativa do RS, que discute os efeitos dos herbicidas hormonais na agricultura, dentre eles o 2-4-D, cujo projeto está protocolado na A.L e deverá ser votado em início de 2026, assim que esta casa volta do recesso de final de ano.
Para o Prof. Dr. Márcio Eduardo, que também é um dos coordenadores do PLANAB RS -MDA/UFFS), há um interesse crescente das comunidades indígenas em avançar na ecologização e na certificação orgânica de seus territórios. Esse movimento vai ao encontro dos desafios inerentes à mitigação das mudanças climáticas e possui potencial para a geração de renda e para o incremento dos produtos da sociobiodiversidade dos povos originários para as pessoas do campo e da cidade.
Para os representantes do UNICA, agricultores indígenas Jorge Guimarães e Beto Fortes e a secretária Ester de Carvalho a aproximação com a Universidade representa um momento de repensar os processos produtivos que estamos inseridos, oportunidade de reorganizarmos nossos sistemas produtivos e inserção de novas técnicas que possam melhorar as condições de renda e de vida das famílias, respeitando-se a tradição e cultura indígena. Tal visão recebeu o apreço e concordância do representante do Cacique do Serrinha (Sr. Márcio Claudino – em outra agenda no dia), Capitão Ismael de Paula, presente no evento e do cacique Antônio Moreira da aldeia Rio da Várzea, o qual estava em Porto Alegre em outros compromissos, mas enviou representação local.
Estiveram presentes também os professores Drs. Antônio Andrioli, presidente do Observatório da SOJA – SOYACENE – UFFS e Geraldo Coelho, pesquisadores das áreas de ciências sociais e sistemas agroflorestais respectivamente. Ainda, os profs. Drs. José Eduardo Gubert e Cezar Gonzáles, do Instituto Federal Farroupilha (IFFar, Frederico Westphalen); O Engº Agrº e agricultor Jean Christian Boukounga, representando o núcleo Alto Uruguai da ECOVIDA, O ENGº Agrº Iamir Centenaro, coordenador núcleo de desenvolvimento territorial MDA/ADMAU, vice-prefeito de Três Palmeiras, Sr. Beto, dentre outros participantes e comunidade indígena local.
As iniciativas apontadas, serão retomadas durante o ano de 2026.