21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Opinião

Um final de tarde, nada comum

teste
Rita Capeletti
Por Rita Capeletti
Foto Rita Capeletti

De tempos em tempos, a vida se ressignifica.

No dia 23/11/2025, foi a nossa vez, a vez de Erechim. Dia para marcar na história e nos corações dos erechinenses.
Erechim, município do RS, é a segunda cidade mais populosa do norte do Estado, com estimativa de mais de 105 mil habitantes.

No final da tarde do dia 23 de novembro de 2025, domingo, a vida tomava outro rumo. De um final de domingo tranquilo, com famílias, amigos e eventos, para um final de domingo obscuro, molhado.

No céu, uma nuvem preta se aproximava, e seu formato não era igual ao de outras que já víramos. Junto com ela chegavam sons que nos remetiam a alguém quebrando madeiras. O que era muito estranho, aos poucos foi ficando assustador, em alguns segundos, pedras de gelo muito grandes eram lançadas da nuvem sobre nossa cidade. Ficamos por minutos sem reação, achando que logo iria parar, mas o tempo não perdoou — será que era isso? Precisávamos de perdão?? — e vieram muitas pedras, sem tempo para qualquer reação, somente podíamos tentar nos proteger.

Pânico, orações, choros, medos, abraços. Do céu vinham muitas pedras, imensas, e, após poucos minutos, a destruição. Casas, prédios, empresas, carros, igrejas, escolas, hospitais, pobres, ricos, todos envolvidos pelo mesmo sentimento e pela mesma perda.

A chuva, em instantes, alagou o que as pedras destruíram. Mais do que casas, carros e móveis, foram os corações, as lembranças guardadas de muitas gerações, muitas vidas de trabalho e de conquistas.

Depois do primeiro impacto, a corrida pela proteção. No primeiro momento, lonas, muitas lonas. Erechim se transformou numa cidade de lonas. A cidade vista do alto estava triste; pessoas corriam na tentativa de dominar a água, subiam nos telhados, alguns caíam, machucados, tristes.

Ali, naqueles minutos da tempestade, como um livro que se fecha, encerrava-se uma parte da história de Erechim, da arquitetura das telhas de barro, que, lindas, na sua escultura e nas mais diversas formas, decoravam os telhados das casas da cidade.

Agora, a cidade toma uma nova forma: telhados brancos, reluzentes, que escrevem um novo capítulo da história de Erechim, trazendo junto muitas histórias da reconstrução. Ficam a memória do evento, os danos, a superação diante da força da natureza.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;