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FeLV felina exige atenção de tutores e diagnóstico precoce

Professor da URI Erechim explica formas de transmissão, prevenção, vacinação e cuidados com gatos positivos

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Por Gabriela de Freitas
Foto Gabriela de Freitas; Vivian Mattos; Caio Bagnolo

A Leucemia Felina (FeLV) é considerada uma das doenças infecciosas que mais preocupam na clínica de felinos e pode impactar de forma significativa a saúde e a expectativa de vida dos gatos. Conforme explica o professor do curso de Medicina Veterinária da URI Câmpus Erechim, Guilherme Dornelles, o vírus pode se manifestar de diferentes maneiras no organismo e, em muitos casos, apresentar evolução silenciosa.

Segundo o docente, a FeLV — sigla para Feline Leukemia Virus — pode acometer a medula óssea ou permanecer restrita aos órgãos linfóides, afetando o sistema imunológico e favorecendo o surgimento de outras doenças.

Complicações associadas à FeLV

De acordo com o professor, gatos infectados pela FeLV podem desenvolver neoplasias, como linfomas e leucemias, além de outras afecções secundárias. “A doença pode causar imunossupressão, o que abre espaço para agentes oportunistas, como herpesvírus e micoplasmas, aumentando a chance de infecções”, explica.

Essas complicações, conforme Dornelles, tendem a reduzir a expectativa de vida do felino, especialmente quando o diagnóstico ocorre em estágios mais avançados da infecção.

Formas de transmissão

A FeLV é considerada uma doença de fácil transmissão entre gatos. Segundo o professor, o vírus pode ser transmitido por saliva, sangue, leite materno e também pela via transplacentária. Ambientes com grande número de felinos ou animais com acesso livre à rua costumam apresentar maior risco.

Apesar disso, Dornelles ressalta que o vírus é classificado como envelopado e não apresenta grande resistência no ambiente externo. “Detergentes, calor e antissépticos costumam eliminar o vírus com relativa facilidade”, pontua.

Diagnóstico e testagem

O diagnóstico da FeLV é feito, principalmente, por meio de testes rápidos de imunoensaio, amplamente utilizados na rotina clínica veterinária. Esses testes detectam a presença do vírus no organismo do animal.

O professor alerta, no entanto, que em infecções recentes a carga viral pode ser baixa, o que pode resultar em um teste inicial negativo. “Por isso, em alguns casos, é indicado repetir o exame após 30 a 60 dias”, explica. Segundo ele, já houve situações em que gatos inicialmente negativos testaram positivo em uma nova avaliação.

Fases da infecção

Conforme Dornelles, a FeLV pode se apresentar em diferentes fases. Há casos em que o organismo do animal consegue combater o vírus logo no início, impedindo sua replicação. Em outras situações, o vírus pode permanecer latente, com baixa carga viral, reativando-se em momentos de imunossupressão.

Já nos quadros progressivos, o vírus se replica de forma mais intensa, podendo atingir a medula óssea e outros tecidos, resultando em anemia, leucemia, linfomas e queda acentuada da imunidade. Há ainda formas mais raras, nas quais o vírus fica restrito a um único local do corpo.

Sinais clínicos e comportamento dos felinos

A FeLV não apresenta sinais clínicos específicos. Em alguns casos, pode haver aumento de linfonodos, especialmente em quadros de linfoma. No entanto, o professor destaca que os sintomas costumam ser inespecíficos, como apatia e perda de apetite.

“O felino tem a característica de esconder quando está doente, o que dificulta a identificação precoce”, observa Dornelles. Gatos com acesso à rua, segundo ele, tornam esse acompanhamento ainda mais desafiador.

Prevenção e vacinação

A principal forma de prevenção, conforme orienta o professor, é a testagem antes da introdução de um novo gato no ambiente. Animais negativos podem ser vacinados contra a FeLV a partir das nove semanas de idade.

O protocolo vacinal geralmente inclui duas doses iniciais, com intervalo de três a quatro semanas, seguidas de reforço anual. Dornelles ressalta que a testagem prévia é fundamental, já que a vacina é produzida com cepa inativada do vírus. “Se o animal já for positivo, a vacinação pode prejudicar o sistema imunológico”, alerta.

Durante o início do protocolo vacinal, o felino deve permanecer isolado, sem contato com outros gatos e sem acesso à rua, até que a imunização esteja completa.

Tratamento e acompanhamento

A FeLV não possui cura. O tratamento, segundo o professor, é voltado ao suporte clínico e ao controle das doenças associadas. Exames periódicos, como hemograma e bioquímicos, costumam ser recomendados para monitorar a evolução do quadro.

“O acompanhamento regular permite identificar alterações de forma precoce e ajustar o tratamento conforme a necessidade de cada paciente”, explica Dornelles.

Bem-estar e qualidade de vida

Em casos mais graves, especialmente quando há comprometimento da medula óssea ou desenvolvimento de neoplasias, o prognóstico pode ser reservado. Nesses contextos, o professor destaca que a avaliação do bem-estar do animal deve orientar as decisões clínicas, sempre com diálogo claro entre veterinário e tutor.

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