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Arte em miniaturas dá vida a mundos do RPG de mesa

Customização de personagens e cenários amplia a imersão em jogos de interpretação e revela um hobby que une narrativa, criatividade e reaproveitamento de materiais

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A Sociedade do Anel, Wargame Terra Média árvores confeccionadas de arame e esponja triturada e tinta
Claudemir Dalbosco Jr.jpg
Por Redação
Foto Arquivo pessoal

Os jogos de RPG de mesa seguem conquistando novos públicos ao unir imaginação, narrativa coletiva e interação social. Dentro desse universo, a arte em miniaturas e a criação de cenários aparecem como elementos que ampliam a imersão dos jogadores. Para Claudemir Dalbosco Jr., entusiasta do RPG e da customização artesanal, esses detalhes ajudam a tornar as histórias mais visuais e envolventes.

Histórias construídas em grupo

O RPG, sigla para Role-Playing Game (jogo de interpretação de papéis), funciona a partir da criação de personagens inseridos em uma narrativa coletiva. “É um jogo onde as pessoas criam personagens e os interpretam dentro de uma história construída em conjunto”, explica Claudemir.

Segundo ele, não há vencedores ou perdedores. “O objetivo é contar uma história juntos, tomando decisões, enfrentando desafios e imaginando cenas, como em um filme ou livro interativo.”

Um dos participantes assume o papel de narrador, ou mestre, responsável por descrever o mundo e as situações, enquanto os demais jogadores decidem as ações de seus personagens. “As regras e os dados ajudam a resolver conflitos e dão imprevisibilidade à história”, acrescenta. Claudemir lembra que os RPGs surgiram nos Estados Unidos, nos anos 1970, derivados dos wargames, jogos de guerra com miniaturas.

Paixão pelo universo fantástico

O interesse de Claudemir pelo RPG começou a partir da literatura fantástica. “Minha paixão começou com O Senhor dos Anéis, que é uma das maiores fontes de inspiração dos RPGs clássicos”, relata. Com o tempo, o hobby se consolidou, especialmente pela construção de mundos e narrativas.

Entre seus sistemas favoritos estão Dungeons & Dragons, Warhammer e O Chamado de Cthulhu. “Cada um deles traz universos muito densos e distintos, que estimulam a imaginação”, comenta.

Do jogo à narração

Claudemir começou a mestrar por volta de 2010, quando o grupo com o qual jogava precisou de alguém para assumir a função. “Acabei me jogando de cabeça na leitura de livros e quadrinhos de capa e espada e passei a criar histórias para apresentar aos meus amigos”, relembra.

Entre suas principais inspirações estão J. R. R. Tolkien, Robert E. Howard, autores de quadrinhos e o amigo Roberto Prichua, responsável por narrar a primeira aventura do grupo. “Foi ele quem nos apresentou ao RPG e conduziu nossa primeira mesa”, destaca.

Miniaturas com identidade própria

O trabalho com miniaturas e cenários começou entre 2017 e 2018, a partir do contato com os wargames. “As miniaturas vêm desmontadas e sem pintura, o que me instigou a modificá-las e dar um ar mais único”, explica. A adaptação dessas peças ao RPG de mesa trouxe mais vivacidade às partidas.

Na época, o acesso a miniaturas importadas era limitado. “O hobby já era caro só nos livros, então passei a buscar alternativas, como miniaturas de metal e resina”, conta.

Criar a partir do simples

O processo criativo parte da análise da miniatura base e do que ela representa na história. “Busco referências em livros, quadrinhos, personagens históricos e grandes universos da cultura pop”, afirma Claudemir. Materiais simples fazem parte do trabalho, como papelão, garrafas PET e papel de maior gramatura. “Um personagem simples pode ganhar destaque com pequenas alterações, como uma armadura maior para indicar que ele é o líder”, exemplifica.

Na criação de cenários, o reaproveitamento também é central. “Uso isopor descartado para criar masmorras ou estruturas futuristas”, explica. Árvores, por exemplo, são feitas com arames, tinta, serragem e esponjas recicladas para simular folhagens.

Presente e futuro do RPG

Na avaliação de Claudemir, o RPG de mesa no Brasil vive um momento de crescimento. “Muitos sistemas consagrados foram traduzidos, e os RPGs nacionais também ganharam força”, observa. Para ele, iniciativas recentes ajudaram a atrair novos públicos e ampliar o alcance do hobby.

“Com tanta diversidade cultural e histórica, o Brasil tem um potencial enorme para inspirar novas histórias”, conclui.

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