O envelhecimento da população em Erechim avança em ritmo acelerado e já impõe novos desafios às políticas públicas, além de abrir um amplo nicho de mercado para produtos e serviços voltados à longevidade.
No Brasil, uma pessoa é considerada idosa a partir dos 60 anos, conforme o Estatuto do Idoso. Essa classificação é adotada para fins legais e de políticas públicas. Do ponto de vista biológico, no entanto, estudos mais recentes sugerem que o início da velhice pode ocorrer mais tarde, em torno dos 78 anos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a população entre 60 e 74 anos como idosa e acima dos 90 como em situação de “velhice extrema”.
18,61% da população
Em Erechim, o fenômeno do envelhecimento é claramente visível nos dados do IBGE. Segundo o Censo 2022, o município possui 19.677 pessoas com 60 anos ou mais, o que representa 18,61% da população total, estimada em 105.705 habitantes naquele ano. A estimativa populacional para 2025 é de 109.609 habitantes, mantendo-se percentuais semelhantes nas faixas etárias.
Mulheres são maioria
As mulheres predominam entre os idosos. Elas representam 57,67% desse grupo, com 11.349 pessoas. Já os homens somam 8.328, o equivalente a 42,32%. Juntos, formam o contingente de quase 20 mil moradores acima dos 60 anos em Erechim.
Distribuição por faixa etária
A população idosa está distribuída em nove faixas etárias, entre 60 e mais de 100 anos:
• 60 a 64 anos: 5.915 pessoas (3.233 mulheres e 2.682 homens)
• 65 a 69 anos: 4.856 pessoas (2.657 mulheres e 2.199 homens)
• 70 a 74 anos: 3.549 pessoas (2.109 mulheres e 1.530 homens)
• 75 a 79 anos: 2.400 pessoas (1.410 mulheres e 990 homens)
• 80 a 84 anos: 1.511 pessoas (940 mulheres e 572 homens)
• 85 a 89 anos: 920 pessoas (618 mulheres e 302 homens)
• 90 a 94 anos: 420 pessoas (287 mulheres e 133 homens)
• 95 a 99 anos: 97 pessoas (86 mulheres e 11 homens)
• Mais de 100 anos: 9 pessoas, todas mulheres
Total: 19.677 pessoas (11.349 mulheres e 8.328 homens).
Crescimento acelerado
Entre 2010 e 2022, a população com 60 anos ou mais em Erechim cresceu 48,9%, evidenciando um intenso processo de envelhecimento populacional e provocando mudanças significativas na pirâmide demográfica do município.
Até 2030, crescimento vegetativo negativo
Essa transformação demográfica projeta um cenário inédito. O Rio Grande do Sul deve se tornar, até 2030 (e Erechim está inserida nesse contexto), o primeiro estado brasileiro com crescimento vegetativo negativo, quando o número de mortes supera o de nascimentos. Atualmente, a média é de 1,6 filho por mulher em idade fértil.
Uma nova fase da vida
Aos 60 anos ou mais, a vida não diminui. Ela se aprofunda. Cada ruga carrega uma história, cada lembrança constrói um legado. Ao longo dos próximos meses, o jornal Bom Dia irá produzir uma série de reportagens em texto e vídeo sobre essa fase da vida e o que ele representa para Erechim, num universo formado por quase 20 mil pessoas. Serão apresentadas trajetórias de homens e mulheres que ajudaram a moldar a comunidade, mostrando que envelhecer é, acima de tudo, continuar vivendo, sonhando e inspirando
Entrevistas, serviços e conteúdos
Todas as editorias estarão envolvidas, com entrevistas, serviços e conteúdos que apontam oportunidades para viver melhor depois dos 60. Os temas irão abranger saúde física e mental; mercado de trabalho; espaços de bem-viver e lazer; além de serviços que surgiram para atender essa demanda, como academias especializadas, lares de acolhimento e iniciativas de convivência.
Entidades e poder público
Também serão abordadas as entidades que se dedicam a essa parcela da população e as ações do poder público, constantemente pressionado a ampliar e qualificar a oferta de serviços para quem viu a cidade crescer, ajudou a transformá-la e segue sendo parte viva de sua história.