Na manhã da terça-feira, 13, a tradicional reunião da base aliada ao governo Polis e Flávio, realizada antes das sessões ordinárias, teve ingredientes extras. Era o momento decisivo de escolher os nomes para as comissões permanentes de 2026 do Legislativo erechinense.
Concentração da disputa
Das quatro comissões eleitas, três foram definidas sem qualquer tensão. Uma, porém, concentrou toda a disputa. A mais desejada em Brasília, na Câmara dos Deputados. A mais disputada na Assembleia Legislativa. E, como não poderia ser diferente, também a mais cobiçada em Erechim: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por onde passam todos os projetos de lei. Na votação, sete vereadores têm direito a voto, indicado por cada uma das bancadas que compõe o parlamento.
PCdoB tinha o apoio do MDB, nas primeiras horas
Logo nas primeiras horas da manhã, a vereadora Sandra Picoli (PCdoB) aparecia como candidata à presidência da CCJ, com o apoio do MDB. Paralelamente, o então presidente da CCJ, Claudemir de Araújo (Progressistas), orientou Gustavo Zin Farina (de seu partido) a concorrer ao cargo e, sobretudo, a não abrir mão da disputa.
Abriu mão em 2025, para ter apoio em 2026
O vice-presidente do ano anterior, Ricardo Argenta, estava em viagem até a noite de segunda-feira, 19, último dia do recesso, e ainda não havia participado das articulações. Na terça-feira, 20, colocou oficialmente seu nome na disputa e foi categórico: não abriria mão da candidatura. Segundo ele, havia um acordo firmado no ano anterior com Araújo, quando também desejava presidir a CCJ, abrindo mão naquele momento em troca do apoio agora em 2026
Três candidatos
O cenário, então, estava formado: três candidatos para sete votos possíveis: Sandra, Gustavo e Argenta. Até a hora da sessão ordinária, novas reuniões e movimentos políticos aconteceram. Houve, inclusive, contatos diretos com os presidentes partidários Jackson Arpini (União Brasil) e João Aleixo Bruschi (Progressistas), em busca de apoio junto às demais siglas.
A escolha fora do plenário
Com o início da sessão, o presidente da Câmara, Carlinhos Magrão (PSDB), convocou os sete indicados pelos partidos para se retirarem do plenário, na 15ª Coordenadoria de Educação, onde seriam realizadas as eleições das quatro comissões.
Retirada de candidatura
Três delas foram definidas de forma tranquila. A própria Sandra Picoli retirou sua candidatura à presidência da CCJ e acabou eleita presidente da Comissão de Análise de Leis Complementares.
Decisão do presidente foi para o voto
Restaram, então, dois nomes na disputa pela CCJ, que tentaram compor de manhã, mas não evoluiu. Como ninguém abriu mão, a decisão foi para o voto. Ricardo Argenta (União Brasil) obteve quatro votos (o seu, mais os do MDB, PCdoB e PSDB). Gustavo Zin Farina (Progressistas) conquistou três (o seu, mais os do PL e do PT). Na votação seguinte, individual para cada cargo, Gustavo foi eleito vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que tem como secretário Juares Bernardi (PSDB).
O antes e o depois
A foto que ilustra esta análise foi registrada depois de tudo isso. Ricardo Argenta e Gustavo Farina aparecem sorridentes, como se nada tivesse acontecido. Mas aconteceu.
Relato politicamente relevante
E o relato ocorrido é politicamente relevante. União Brasil e Progressistas, os dois partidos diretamente envolvidos, estão juntos em Federação no cenário nacional. Essa aliança produz efeito cascata em todo o país e obriga as siglas a caminharem juntas nas eleições de outubro deste ano.
Fato isolado ou terá desdobramentos futuros
Resta saber se o episódio foi apenas um fato isolado, ou se o tempo revelará desdobramentos mais profundos, capazes de influenciar, inclusive, em decisões das eleições municipais de 2028. Toda a foto, não conta a história completa.