“faxineiro do ambiente doméstico”
Normalmente o “bicho homem” tem ojeriza da maioria dos animais selvagens. Entretanto, muitos deles são inofensivos, e ainda benéficos, de grande utilidade no combate a insetos (centopeias, escorpião, aranha etc.,) e outros animais perigosos (cobras venenosas), entre outros.
Nesta e nas próximas matérias, escreverei sobre alguns destes animais, que por falta de conhecimento, acabamos eliminando-os.
Quem conhece o famoso gamba ou raposa, que volta e meia encontramos um perambulando a noite pelas ruas e/ou em terrenos, muros e telhados das moradias da nossa cidade?
Tem aquele mito que o gamba “mata as galinhas para chupar seu sangue”. Verdade ou imaginação?
O gambá não é um animal agressivo. Seu nome popular se refere a espécies da família Didelphidae. O termo é derivado do tubi-guarani, o guaambá, que significa “saco vazio”. Os gambás são animais marsupiais, assim como coalas e cangurus, tendo, portanto, uma espécie de bolsa na qual os filhotes completam seu desenvolvimento.
No Brasil são reconhecidas quatro espécies: gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), gambá-de-orelha-branca (Didelphis albiventris), gambá-comum (Didelphis marsupialis) e o gambá-amazônico (Didelphis imperfecta).
Os gambás são parecidos com os ratos, mas não são roedores. Eles têm corpo maciço, focinho alongado, orelhas grandes, e uma grande cauda preênsil, capaz de se prender e segurar em galhos, fiação, o que torna a estrutura uma espécie de quinto membro. Os gambás possuem patas anteriores com unhas bastante afiadas. As patas posteriores têm um dedo oponível aos outros, o que também ajuda o animal a se segurar. Os gambás possuem ainda caninos grandes.
Possuem hábitos noturnos e são arborícolas ou terrestres e solitários. Suas ninhadas são em grande número, e carregam seus filhotes nas costas ou presos em seu rabo.
Os bichanos são muito adaptados a viverem no ambiente modificado pelo homem, sendo que nesses locais encontram alimento e abrigo. Vivem abrigados em forros de casas, galpões, podendo causar danos às instalações elétricas. Além, do mau cheiro pelas urinadas de odor fétido.
Possuem mecanismos de defesa, quando se sentem em perigo, abrem sua boca de modo a mostrar seus dentes e emitem um som característico. Quando a técnica não causa efeito, eles podem adotar uma estratégia conhecida como “tanatose”, ou seja, se fingem de morto, permanecendo imóvel e diminuindo sua frequência cardíaca e respiratória. E quando ameaçados, os gambás podem ainda liberar todo seu conteúdo intestinal e uma secreção odorífera de glândulas anais.
Alimentação dos gambás: é neste quesito que reside seus benefícios ao “bicho homem”, pois controlam diversas pragas nocivas. Os gambás são animais onívoros, ou seja, seus alimentos podem ser de origem animal ou vegetal. Na sua dieta estão, desde pequenos animais, como pássaros, roedores, insetos, aranhas e escorpiões, frutos e ovos. Além, de cobras venenosas, como jararaca e cascavel. O bichano tem superpoderes, pois pode levar dezenas de picadas de escorpiões e víboras que nada sente. Por isso, está sendo estudados por muitos pesquisadores.
A importância ecológica dos gambás: Os gambás apresentam importante papel biológico nos ecossistemas em que estão inseridos. Como salientado, ao se alimentarem de frutas, desempenham um papel importante na dispersão de sementes.
Podemos dizer que se trata de um “faxineiro ambiental do seu terreno ou jardim” que se adaptou à vida urbana, um grande aliado no controle de pragas e víboras.
Doravante, ao cruzar com um gambá por aí, deixo-o ir livremente. pois está diante de um pequeno marsupial brasileiro com uma longa história evolutiva. Auxilie a divulgar que o bichano é um grande aliado do ser humano.