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Política

Castelinho: 110 anos de espera para um restauro completo

Em coletiva de imprensa, o Executivo erechinense anunciou R$ 7,1 milhões para a obra. Destes, R$ 6,6 milhões do Ministério Público do RS, através do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados e R$ 500 mil do Governo Federal. Valores são suficientes para concluir quatro, das cinco etapas previstas.

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O Ministério Público do RS, através do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados está destinando R$ 6,
O anúncio do restauro, ocorreu nesta segunda-feira, 26, no Salão Nobre da Prefeitura de Erechim
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Ao longo de sua história, o Castelinho, que completa 110 anos no dia 20 de abril, teve apenas duas intervenções mais profundas, e por isso escancara o atual momento do prédio de madeira de cinco pavimentos, que sediou a Comissão de Terras, que foi crucial no início do século passado para a demarcação de lotes e no acolhimento de imigrantes.

Primeira intervenção: 33 anos atrás

Uma das intervenções foi em 1993 (há 33 anos), através do prefeito da época, Antônio Dexheimer, que pela necessidade eminente de queda, acelerou o processo, e acabou sedo apontado, por não ter licitado, o que lhe causou dissabores com a justiça ao longo de pelo menos 20 anos.

Segunda intervenção: há 12 anos

A segunda, foi após mais de 20 anos. No dia 2 de janeiro de 2014, no segundo mandato do prefeito Paulo Polis, entregaram à comunidade, a primeira parte do restauro. Mas não foi dado na época, continuidade ao projeto total, e gradativamente, o tempo foi se encarregando de destruí-lo aos poucos. Teimoso, o Castelinho se manteve de pé.

O granizo escancarou de vez a situação do prédio histórico

Com o temporal de granizo, do dia 23 de novembro de 2025, se escancarou o que era evidente: O Castelinho estava ruindo. Tentaram colocar lona, e as telhas começaram a espedaçar. O Castelinho, teimoso, dava seus últimos suspiros, pedindo socorro: “Eu não suporto mais, me ajudem”. Já tinha se passado quase 12 anos da última intervenção (2014), que não teve continuidade na época.

Votação unânime

Na última sexta-feira, 23, em Porto Alegre, o Ministério Público do RS, através de sessão do Fundo de Reconstituição de Bens Lesados (FRBL), teve uma votação extraordinária. E o projeto de restauro foi aprovado por unanimidade. São R$ 6,6 milhões para dar dignidade ao maior patrimônio de Erechim, que está estampado no brasão do município, nos papéis oficiais do Executivo, na principal honraria do Legislativo, no monumento dos 100 anos e no pórtico de entrada do município.

Edital e 24 meses para conclusão

No ano passado, Erechim quase conseguiu os recursos. E nesse início de 2026, após dias intensos de mobilização política, foi contemplado.  Nos próximos dias, deverá ser assinado o convênio com o Ministério Público, para posterior lançamento do edital, que prevê 24 meses para conclusão, após ser conhecida e empresa vencedora.  O governo federal liberou mais R$ 500 mil para reconstrução do telhado, em função do temporal de granizo de novembro do ano passado, totalizando R$ 7,1 milhões.

Resgate da história e da cultura

E nesta segunda-feira, 26, no Salão Nobre da Prefeitura de Erechim, ocorreu o anúncio oficial do restauro. Um momento de extrema importância para o resgate da história e da cultura.  

Restauração será de forma contínua, garantindo início, meio e fim

Durante a coletiva, o prefeito Paulo Polis destacou que o Castelinho é um dos principais símbolos históricos e afetivos de Erechim, local onde foi realizada a primeira ata de constituição do município e o primeiro ato administrativo da cidade. Ressaltou que o restauro do prédio exige planejamento, tempo e, sobretudo, esforço coletivo, não sendo uma ação imediata.

Destacou a importância da parceria com o Ministério Público, o trabalho técnico da Secretaria de Cultura. Segundo ele, a restauração será conduzida de forma contínua, garantindo início, meio e fim, para que o Castelinho volte a cumprir seu papel histórico, cultural e comunitário para Erechim.

Forte engajamento institucional

O secretário Wallace Soares destacou que o restauro do Castelinho é resultado de um trabalho coletivo, construído a muitas mãos e com forte engajamento institucional. Ressaltou, de forma especial, o apoio do Ministério Público, na pessoa do promotor Fabrício Alegretti, que tem uma relação afetiva com o Castelinho e foi fundamental para a abertura de portas e a viabilização do projeto.

Ao longo da fala, Wallace relembrou as diversas tentativas de captação de recursos, os desafios enfrentados e ainda ressaltou que o projeto chegou às etapas finais de seleção em editais altamente concorridos, demonstrando sua qualidade técnica e relevância histórica.

Promotor detalha mobilização inédita que garantiu os recursos

O promotor de Justiça Fabrício Alegretti destacou a mobilização institucional que resultaram na aprovação unânime dos recursos. Segundo ele, a gravidade da situação estrutural do Castelinho exigiu uma atuação emergencial, já que o bem não podia mais esperar por trâmites ordinários.

Mesmo durante o período de férias, o promotor explicou que manteve dedicação integral à busca de alternativas para viabilizar os recursos necessários.  No entanto, diante da urgência imposta pelo estado crítico do imóvel e da limitação do calendário institucional, com apenas uma reunião ordinária prevista para dezembro, tornou-se necessário buscar uma alternativa excepcional. O desafio foi articular a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Gestor do FRBL, em meio ao recesso do Judiciário e ao período de férias.

Segundo Alegretti, os conselheiros destacaram não apenas a relevância histórica e cultural do Castelinho, mas também a qualidade técnica do projeto apresentado. “Foi um reconhecimento coletivo da importância desse patrimônio e do trabalho sério que foi feito”, afirmou.

Projeto: constantemente aprimorado e atualizado

Visivelmente emocionada, a arquiteta e urbanista Ariane Pedrotti, autora do projeto de restauro do Castelinho, relatou o momento mais difícil enfrentado pela equipe desde a concepção da proposta. Segundo ela, após os severos impactos causados pelo temporal de granizo, o sentimento foi de completo desolamento. Tudo aconteceu ao mesmo tempo, colocando em risco a continuidade de um projeto construído com anos de dedicação.

Na última sexta-feira, 23, quando recebeu a informação que o projeto foi contemplado, não sabia o que fazer. No entanto, ao revisarem a situação, constataram que toda a documentação exigida já estava devidamente em dia, sem pendências. E que o projeto vem constantemente sendo aprimorado, com atualização de orçamentos e adequações técnicas.  

O depoimento evidenciou não apenas a complexidade técnica do projeto, mas, sobretudo, o envolvimento humano, emocional e profissional de quem acredita profundamente na preservação do patrimônio e na importância do Castelinho para a história e a identidade da comunidade.

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