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Expressão Plural

A história das Copas: 1954 e o milagre alemão

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Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Em um cenário de maior estabilidade internacional, a Copa do Mundo de 1954 marcou a retomada definitiva do torneio. A escolha da Suíça como sede teve forte peso simbólico: o país havia permanecido neutro durante a Segunda Guerra Mundial e representava um ambiente seguro, organizado e politicamente estável para receber seleções de diferentes partes do mundo. Além disso, a edição coincidiu com os 50 anos de fundação da FIFA, criada em Paris em 1904 e transferida para Zurique durante o conflito.

O Mundial também teve um significado especial nos bastidores da entidade. Aquela foi a última edição do Mundial sob a presidência de Jules Rimet, o idealizador do torneio, que deixaria o cargo pouco depois e faleceria em 1956.

O regulamento da Copa de 1954 foi um dos mais estranhos da história do torneio. As 16 seleções foram divididas em grupos de quatro, mas cada equipe disputava apenas dois jogos na fase inicial, enfrentando apenas os times considerados “cabeças de chave” ou “não cabeças”, conforme o sorteio. Empates não eram permitidos: caso uma partida terminasse igualada, havia prorrogação, mas se a igualdade persistisse, o jogo era registrado como empate. O formato gerou críticas, desequilíbrios e dificuldades de compreensão até mesmo para dirigentes e torcedores. Classificaram-se para a Copa na Suíça: Hungria, Áustria, Alemanha Ocidental, Inglaterra, França, Bélgica, Itália, Turquia, Iugoslávia, Escócia, Tchecoslováquia, Brasil, Uruguai, México e Coreia do Sul.

A grande força da competição era a Hungria. Liderada por craques como Ferenc Puskás, a seleção apresentava um futebol moderno, técnico e ofensivo, que encantava o mundo. Os húngaros chegaram à Copa invictos há quatro anos e atropelaram adversários, incluindo uma vitória histórica sobre a Alemanha na fase de grupos do Mundial por 8 a 3.

O Brasil chegou à Suíça ainda sob o impacto do trauma de 1950. Uma consequência direta do Maracanazo foi a aposentadoria da camisa branca, associada à derrota. Em 1953, o Brasil abandonou o uniforme tradicional e adotou a camisa amarela como principal, mudança que marcaria para sempre a identidade da seleção.

A campanha na Copa foi marcada por instabilidade emocional e episódios de tensão, especialmente na derrota para a Hungria por 4 a 2 nas quartas de final, em um jogo violento que ficou conhecido como a “Batalha de Berna”. Na fase de grupos, os brasileiros fizeram 5 a 0 no México e empataram em 1 a 1 com a Iugoslávia.

A Alemanha, por sua vez, retornava ao cenário internacional após os anos de suspensão do pós-guerra. O país já estava dividido entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental, reflexo das tensões da Guerra Fria. Apenas os alemães ocidentais disputaram a Copa, carregando o peso da reconstrução nacional e buscando a reinserção plena no futebol e na sociedade. Além da goleada sofrida para a Hungria, a seleção alemã enfrentou duas vezes a Turquia na fase de grupos, vencendo-a na primeira rodada e em um jogo extra de desempate, já que ambas somaram dois pontos. O time cresceu no mata-mata, tirando a Iugoslávia nas quartas de final e a Áustria na semifinal.

Na decisão, o improvável aconteceu. Mesmo considerada favorita absoluta, a Hungria foi derrotada pela Alemanha na final, em Berna. Em um jogo histórico, os alemães sofreram dois gols no primeiro tempo, mas viraram para 3 a 2 na segunda etapa, conquistando seu primeiro título mundial. O resultado ficou conhecido como o “Milagre de Berna” e simbolizou não apenas uma das maiores surpresas da história das Copas, mas também a retomada da autoestima alemã.

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