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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia - Sibéria – Mongólia – China (26)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A chegada, com o trem chinês, aconteceu cedo pela manhã. O movimento dos trens, sempre lotados, já se iniciava de madrugada. O trem passava pelos arredores de Pequim, capital da China, onde mora, em prédios, a maioria dos trabalhadores. Fomos conhecendo um pouco do país. Final da viagem na bela estação ferroviária de Pequim. Milhares desciam dos trens. O movimento era intenso, mas não havia gritaria; multidões, em silêncio, entravam e saíam. O que chamou a atenção foi a limpeza do local, principalmente do piso. Este era de granito reluzente; nada, nada era jogado ao chão, nem mesmo um bilhete perdido. As pessoas se movimentavam, em silêncio, como se estivessem em uma esteira automática. Terminava a nossa viagem de trem. Fomos para um hotel, que seria o abrigo para o restante da Transiberiana. Um luxuoso hotel da cadeia Hilton. Um excelente café da manhã já nos esperava. Ilhas e mais ilhas de delícias, que perfeitamente serviriam de almoço.

Conhecendo a China: a Transiberiana de trem acabou. A parte final da viagem seria conhecendo Pequim e seus arredores. Por isso, nesse período ficamos hospedados em um excelente hotel da rede Hilton, no centro da capital. É difícil não se render aos encantos orientais da China. Situada no continente asiático, é o país mais povoado do mundo e tem uma história marcada pela presença de culturas que deixaram uma herança de maravilhas, como a Grande Muralha. Indescritível e sensacional, este país do outro lado do mundo. Conhecê-lo significa ir ao encontro de uma das civilizações mais antigas do mundo. Sua cultura é plena de tradições e, ao mesmo tempo, inserida na modernidade e na tecnologia. A China possui coisas inovadoras e inesperadas, como hotéis e até bairros inteiros flutuando sobre a água.

A cidade proibida em Pequim ou Beijing: o imperador mongol, no tempo em que a China pertenceu à Mongólia, como já foi comentado anteriormente nos capítulos referentes à Mongólia, na ocasião, era um descendente de Gêngis Khan, Kublai Khan. Este transferiu a corte para a região de Pequim, em 1266. Escolheu um lugar pouco propício, pois era árido no verão e muito frio no inverno. Entretanto, foi o imperador Yung Lo, cujo nome significa Eterna Felicidade, da Dinastia Ming, que estabeleceu Pequim como capital permanente da China. Em 1406, começou a criar a Cidade Proibida, onde os mortais comuns não podiam entrar. Possui 9.999 aposentos, o número perfeito, segundo a teoria da dinastia. Os aposentos eram reservados para o imperador e suas esposas, concubinas, funcionários e criados – entre eles, cerca de 3.000 eunucos (estes eram homens castrados que serviam às cortes reais). Mas a Cidade Proibida nunca foi o local favorito de moradia dos imperadores, por não oferecer muito conforto e por causa da grande exigência da etiqueta palaciana.

Local onde os mortais não ousavam entrar: a imponente Cidade Proibida é um dos primeiros locais a serem visitados em Pequim. Seu nome se deve ao fato de ter sido, durante 500 anos, fechada aos cidadãos. Foi local da corte de 24 imperadores, do início da Dinastia Ming, no século XIV, à queda da Dinastia Qing, em 1911. É o maior, mais completo e bem preservado conjunto de edifícios antigos da China. Foi construída por batalhões de trabalhadores. Ao longo dos anos, sofreu incêndios e pilhagens. Depois do século XVIII, foi reconstruída, imitando a configuração original. Boa parte das riquezas e do suntuoso mobiliário se perdeu há muito tempo. Mas a visita é muito interessante, pois se pode imaginar o que acontecia dentro dos muros, em seu cotidiano. O grande complexo de edifícios, quiosques, pátios e muros é uma maravilhosa obra arquitetônica. Muitos áudios ajudam a entender o que se passou, com histórias de eunucos, concubinas, ministros, sacerdotes, intrigas entre cortesãs e outros. O imenso complexo de 75 ha pode ser chamado de cidade pela grande área ocupada e é Patrimônio Mundial da Humanidade. É cercado por muros de mais de 10 metros de altura e por um fosso, que serve de proteção e tem função estética. Gigantescos portões eram fortemente guardados. Alguns imperadores jamais saíram do complexo. Eles acreditavam que estavam no centro do universo. Pela grandiosidade do local, não é difícil imaginar que pudessem acreditar no que haveria além dos muros.

Pavilhão da Harmonia Suprema: na Cidade Proibida existem três pavilhões dedicados à Harmonia: Pavilhão da Harmonia Perfeita, Pavilhão da Harmonia Preservada e Pavilhão da Harmonia Suprema. Este é a maior construção da Cidade Proibida. Na sua entrada há uma grande tartaruga de bronze, símbolo de longevidade, que está ali montando guarda. Nele também se encontra a Sala do Trono, usada pelo imperador nas solenidades. O gigantesco Trono do Dragão Dourado, com detalhes em ouro, é reluzente. Era nele que o imperador se sentava em ocasiões solenes, como sua coroação, seu casamento, o festival de Ano-Novo e a nomeação de um general. O trono era encimado pelo símbolo do poder na Cidade Proibida – o Dragão de Cinco Dedos. Este era de ouro sobre um fundo de porcelana na cor azul imperial.

Portão sul: era o principal acesso da Cidade Proibida. Os prisioneiros das guerras vencidas eram conduzidos por ele, sob o olhar severo do imperador. Na parte sul da Cidade Proibida encontra-se o Rio das Águas Douradas, com cinco pontes. Acreditava-se que a água aumenta o fluxo de energia e ajuda a manter o equilíbrio. Concluindo, é muito difícil descrever o impacto das impressões que uma visita à China causa em nós, ocidentais. De fortes tradições milenares, vale lembrar que tudo leva muito tempo para se descobrir e conhecer sua incrível história.

Conclusão: todos os estereótipos sobre Pequim, geralmente negativos, como a sujeira, o hábito de cuspir no chão e a dificuldade com a língua, não passaram de invenções. A cidade é muito limpa, ajardinada e sem o mínimo lixo pelo chão. Constantemente, das mais diversas maneiras, há sempre alguém cuidando das amplas ruas. Cidade monumental e com uma população muito simpática. Mesmo sem falar a mesma língua, a comunicação é muito fácil, graças à gentileza do seu povo.

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