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Expressão Plural

IA, o surto coletivo

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JF Martignoni
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

Com a ascensão da OpenAI vi um delírio se espalhar dentre a sociedade, como se essa inteligência pudesse substituir os falhos humanos com sua perfeição. Uma percepção como se essa inteligência fosse nos passada por uma civilização superior que veio nos trazer suas dádivas. Alguns que foram mais afundo em seu contato até acreditam que seja Deus, ou um caminho para se comunicar com ele, mas vamos focar no quadro geral.

Há os que sonham que a inteligência artificial surgiu com o ChatGPT. Sendo que os algoritmos que determinam o que aparece em nosso feed, qual próxima música ou filme aparecerá para nós nos serviços de streaming, as ofertas de produtos em todos os sites, os e-mails marketing, os computadores de bordo e o próprio GPS são inteligências artificiais que funcionam para selecionar e repassar dados. Quando você jogava o Super Mario World, lançado em 1990, lá no seu Super Nintendo, quem comandava os inimigos e decidia o que te acertou ou não era uma inteligência artificiar. Você deve estar pensando, mas isso são apenas códigos e programações. Exatamente.

Os investimentos na OpenAI passaram de 1 trilhão de dólares, até agora ela rendeu 20 bilhões, estimam que até 2030 sua receita seja de 260 bilhões. Ou seja, no quadro mais otimista até 2030 seguirá dando prejuízo aos investidores. Muito se fala das maravilhas que ela poderia fazer, pouco se fala da sua incapacidade de fazer tudo que se propõe. O CEO da Klarma, Sebastian Siemiatkowski, fez um espetáculo ao anunciar a demissão massiva de 700 funcionários que seriam substituídos por IA. Sua visão “a frente do tempo” lhe rendeu 99 bilhões de prejuízo. Elon Musk quis automatizar o máximo que pode na produção do Model 3, o que transformou o processo em um caos com um custo mais alto, mais falhas e atraso nas entregas. Seu depoimento sobre o ocorrido foi “humanos são subestimados”. Segundo qualquer métrica essa bolha está para estourar, o mercado já fala que conta com o governo dos EUA para o bailout.

No entanto continuamos ouvindo desse discurso febril de como ela é o futuro e não tem como fugir isso tomará conta de tudo, é o próximo passo, de quem nem sabe como usá-la e como realmente funciona. Subestimam o maior computador já feito, o melhor, mais completo e complexo software: o cérebro humano.

É impossível pra inteligência artificial entregar algo além do genérico, pois ela não cria nada, mas copia o que foi feito. A arte é importante pelo caminho que o artista percorreu até chegar nela. Um artigo é relevante pelo que sente quem escreveu. Um anúncio lhe toca por que se conecta com sua vivência. Achar que o futuro é uma máquina se comunicar em nosso lugar é ignorar todas as nuances da humanidade.

Até buscar inspiração na IA é como querer provar uma receita aclamada de um restaurante renomado lendo a receita na internet. Você não vai sentir o aroma, o gosto, ter a experiência de estar lá. Visitar uma praia lendo sua descrição. Percebem como fica raso? Podemos contar com o IA para separar nossos e-mails dos spans, mas não que os responda por nós. Que nos mostre o histórico das tentativas para solução de um problema, mas não que escolha por nós. Claro é mais rápido escrever com o ChatGPT, mas é o que você realmente escreveria? É exatamente o que queria dizer? Duvido muito.

Faz um tempo que a tecnologia deixou de tornar nossas vidas melhores e as tornou apenas mais rápidas, inumanamente mais rápidas. Antes tínhamos o inconveniente de ligar para uma pessoa e ela não estar em casa, agora quem não responde 24 horas por dia é indiferente. Antes não podíamos compartilhar alguns bons momentos com quem gostaríamos agora temos que transformar toda a rotina em conteúdo. Antes demorávamos além do prazo para entregar algo especial, agora é só jogar no Chat. Pra que qualidade, quando se pode ter rapidez.  

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