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Política

Reforma tributária abre novas oportunidades de arrecadação para os municípios gaúchos

Especialista Luiz Fernando Rodriguez Júnior apresentou na Assembleia de Verão da Famurs estratégias para que as prefeituras ampliem receitas e fortaleçam a gestão fiscal diante do novo modelo tributário

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Por Assessoria
Foto ASCOM

A reforma tributária brasileira inaugura um novo cenário para a gestão fiscal dos municípios e exigirá uma atuação mais estratégica das administrações municipais. O tema foi destaque da palestra do especialista em engenharia tributária Luiz Fernando Rodriguez Júnior, durante a Assembleia de Verão da Famurs, que reuniu prefeitos, secretários e gestores públicos de todo o Rio Grande do Sul.

Uma análise sobre os impactos da reforma tributária na arrecadação municipal e as oportunidades que se abrem com a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) foi apresentada no Palco Crescer. Segundo Rodriguez Júnior, o novo modelo tributário representa uma verdadeira mudança estrutural no sistema de arrecadação do país.

A reforma tributária, regulamentada pelas Leis Complementares nº 214/2025 e nº 227/2026, cria um novo ambiente fiscal baseado no princípio do destino, no qual o imposto passa a ser recolhido no local onde ocorre o consumo do bem ou serviço. Ou seja, a nova lógica tributária exige protagonismo dos municípios.

Na prática, isso significa que municípios que estruturarem melhor sua administração tributária e estimularem atividades econômicas locais poderão ampliar sua arrecadação. “O tempo de esperar passivamente pelos repasses federais e estaduais acabou. O novo sistema exige ação estratégica das prefeituras”, ressaltou Rodriguez Junior. 

Uma das novidades apresentadas durante a palestra foi o conceito de fiscalização compartilhada, previsto na nova legislação tributária. A regra permite que os municípios fiscalizem operações econômicas destinadas ao seu território, mesmo que as empresas estejam sediadas em outras localidades.

De acordo com o especialista, essa mudança pode ampliar significativamente a capacidade de arrecadação das cidades. Para isso, ele ressaltou a importância de investir em tecnologia, inteligência fiscal e integração de dados. 


 

Estratégias para fortalecer a arrecadação local

Outro ponto abordado foi o conceito de engenharia tributária municipal, que envolve estratégias para ampliar a geração de receitas dentro do território das cidades.

Entre os exemplos apresentados estão a organização de cadeias produtivas locais, a criação de empresas prestadoras de serviços ligados às atividades econômicas da região e a valorização de atividades intermediárias da produção.

No caso do agronegócio, por exemplo, o especialista explicou que os municípios podem ampliar sua arrecadação estimulando serviços como armazenagem, transporte, tecnologia agrícola e beneficiamento de produtos, que passam a gerar imposto no território onde ocorrem. “Se o município apenas produzir e exportar a commodity, a arrecadação tende a ser zero. Mas os serviços que acontecem antes da exportação podem gerar receita para a prefeitura”, destacou.

A nova estrutura tributária também altera a forma de tributação de serviços financeiros, como operações de crédito, leasing e transações realizadas por maquininhas de cartão. “Hoje em dia não vivemos mais sem streaming ou espaço na nuvem e isso é uma oportunidade, pois o pagamento está vinculado ao telefone do titular”.

Com a adoção do princípio do destino, o imposto gerado por essas operações tende a ser direcionado para o município onde está localizado o consumidor ou a empresa que utiliza o serviço, e não mais para o local da sede da instituição financeira. Essa mudança pode gerar novas receitas para cidades com forte atividade comercial e empresarial.


 

Preparação das administrações municipais será decisiva

Ao encerrar a palestra, Rodriguez Júnior destacou que os municípios precisam iniciar desde já um processo de adaptação ao novo cenário fiscal. “O município que se preparar agora terá condições de transformar a reforma tributária em oportunidade de desenvolvimento local”, concluiu.
 

A Assembleia de Verão 2026 acontece de 4 a 6 de março, em Torres, com o patrocínio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Banrisul, BM Soluções, Sebrae, Corsan, BRDE, Badesul, Governança Brasil, Lau e Laux Brinquedos, Aprende Brasil, 1 Doc, A Página, GRA Máquinas, XCMG, CREA-RS, Editoria do Brasil, Grupo Priori, RCE, Keike Hut, Kunzler Equipamentos, Viação Ouro e Prata, Shantui, Granpal, IPE Saúde e Caixa. O evento conta ainda com o apoio da Prefeitura de Torres, Amlinorte, CNM, Planalto Transportes, Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Emater/RS e Invest RS. A programação completa está disponível em bit.ly/AGV2026

 

 

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