A cidade de Pequim, capital da China, também é chamada de Beijing. Ela é muito moderna. Arquitetos de bancos e escritórios criaram prédios gigantes de concreto e vidro. A modernidade criou uma China atual que nada fica a dever a Chicago (Estados Unidos) ou a Tóquio (Japão). A parte central de Pequim é muito organizada, com vários canteiros entre as ruas, com um belo paisagismo. A limpeza pública chamou a atenção. Não há lixo jogado nem acumulado. Garis, principalmente mulheres de uniforme chamativo laranja, estão em toda parte. Muitos usam uma bicicleta que puxa um carrinho sobre duas rodas. O condutor, com uma vara pontuda, vai passando, espetando o lixo que encontra e o coloca no carro. Muito interessante! Mas o mesmo não dá para dizer do trânsito. Para atravessar uma via, deve-se ter muita atenção. São carros de todos os lados; parecem não se importar com sinaleiras. “É um salve-se quem puder”!
O templo do céu: construído e várias vezes restaurado, é um dos mais belos exemplos da arquitetura da dinastia Ming. Está situado num grande complexo, com exuberante área verde e com diversos pavilhões destinados ao lazer. Ele foi palco de rituais religiosos solenes por pedidos de boas colheitas, por iluminação espiritual e por pedido de perdão de pecados. A arquitetura do templo, assim como as formas e as cores das estruturas, tem o significado da interação entre o céu e a terra. O templo está construído sobre uma grande plataforma, sendo necessárias muitas escadarias para chegar. No centro dela está a construção no estilo pagode: a parte baixa destinada às orações e encimada por três coberturas circulares, côncavas e, entre elas, lindos vitrais; completa o cume um globo em ouro. Deste emanam sons para pedidos de oração.
O parque no templo do céu: o templo está no centro do parque, com a sua área verde. Tudo está muito bem cuidado, um gramado perfeito sob as árvores, pois tudo passa pelo crivo do Estado. Vários pavilhões estão nele, destinados à ocupação das pessoas idosas. São pavilhões interligados e patrocinados pelo governo, que quer idosos ocupados e saudáveis. Na China, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito. Os jovens aceitam isso com demonstrações de carinho: ouvem, seguem conselhos e opiniões recebidos. A presença bem recebida de idosos na sociedade e nas famílias é fruto de uma educação milenar de reverência e de dignidade.
Atividades nos pavilhões: passamos algum tempo entre os idosos, conhecendo o lazer praticado. Muitos, bem idosos mesmo — creio que passavam dos cem anos — estavam felizes e satisfeitos por estarem nos grupos. Há diversidade de atividades nos locais: ginástica, yoga, meditação, trabalhos manuais, jogos, principalmente xadrez, dança e música. Não havia vozes altas, gritaria nem mal-entendidos. Apenas sussurros. Havia também uma sala com serviço de chá, água e lanches. Tudo patrocinado e regulado pelo governo. Fiquei imaginando isso acontecendo no nosso Brasil. A resposta é: uma questão de educação... Essa visita foi um belo tempo de aprendizagem e uma visão do que pode ser realizado. Podemos dizer que ainda nos falta muito!
A sempre luta pela liberdade religiosa: Mao Tsé-tung tentou abolir todas as crenças fora do comunismo, o que, em parte, é compartilhado por seus sucessores. O confucionismo, o budismo e o islamismo passam, atualmente, por uma renovação na China. A crença em poderes sobrenaturais está firmemente arraigada nos chineses de mentalidade mais tradicional, que não veem distinção entre o mundo dos homens e o dos espíritos. Para erguer um arranha-céu na China, é preciso recorrer não só a arquitetos, empresários e construtores, mas também a um mestre na arte do “feng shui”, que significa “vento e água”. Se estas leis forem seguidas, o edifício estará a salvo dos demônios, fantasmas e outros espíritos maus.
Religiões: o catolicismo é praticado livremente. Mas não é muito seguido pelos chineses, onde outras seitas ou religiões se impõem. O partido comunista apoia a Associação Patriótica Católica Chinesa e tenta eliminar a obediência ao Papa. Mas os católicos não a seguem. Lógico que os católicos sempre consideram o Papa como o grande guia. São muito praticadas três religiões antigas: o taoísmo — harmonia com a natureza; vivos e mortos pertencem a um mesmo universo. Os mortos são enterrados com objetos de papel — casas, carros, alimentos — que os ajudarão na vida além-túmulo. Confucionismo — prega a importância da existência da ordem social. Budismo — está se tornando cada vez mais popular. Sua doutrina está associada à doutrina do renascimento e do ciclo da vida. No Tibete, localizado entre as montanhas no norte da China, os monges tiveram templos destruídos pela Guarda Vermelha, o que provocou a fuga do Dalai Lama, chefe supremo, para a Índia. Islamismo — muitas mesquitas foram reconstruídas e o governo passou a permitir a peregrinação a Meca. É mais praticado no oeste da China e nos portos do sul, frequentados por comerciantes árabes desde o século VII.
Medicina chinesa: a sua base é a busca pela harmonia. A medicina tradicional chinesa é holística, isto é, trata o paciente e não apenas os sintomas, além de encará-lo como um ser humano completo, com emoções e preocupações que se impõem às manifestações físicas da doença. Duas pessoas com o mesmo problema podem receber tratamentos totalmente diferentes. De manhã cedo, antes da hora do trabalho, os parques e as avenidas da China ficam cheios de pessoas que se exercitam num ritmo suave. Os movimentos da dança, em câmera lenta, têm por objetivo estimular a boa saúde e ajudar os participantes a atingir uma harmonia interna. Os movimentos suaves da dança possuem efeitos sobre o funcionamento do corpo. Ela faz parte de um sistema de medicina tradicional chinesa que encara a doença como um bloqueio do sistema de circulação da energia corporal.
Conclusão: no nosso hotel, era possível agendar sessões de dança chinesa. Ofereciam massagens para uma melhor circulação corporal e incluíam também relaxamento muscular, algo muito importante após dias de viagem. Muitos fizeram e gostaram. Uma butique, no local, oferecia potes e vidros com pomadas, líquidos e comprimidos para tudo o que se possa imaginar. Alguns companheiros exageraram nas compras para os mais diversos motivos. Tudo ficou cômico, e muitos fizeram isso para levar na brincadeira mesmo.