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Ensino

Projeto “Elas” promove educação sobre direitos e violência na Escola João Caruso

O grupo já teve trabalhos premiados e apresentados em feiras científicas, além de menção honrosa na Câmara de Vereadores de Erechim pela formação cidadã

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O grupo já teve trabalhos premiados e apresentados em feiras científicas, além de menção honrosa na
O grupo já teve trabalhos premiados e apresentados em feiras científicas, além de menção honrosa na
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

O Projeto Elas surgiu no período pós-pandemia e é desenvolvido na Escola Estadual de Ensino Médio Dr. João Caruso, de Erechim, com foco na orientação de estudantes sobre violência, direitos e convivência social. A proposta nasceu a partir da procura de alunas que buscavam entender como agir diante de situações de assédio, realidade que também desafiou as educadoras da instituição.

A iniciativa teve origem em relatos envolvendo violência, abuso e falta de acolhimento. Diante desse cenário, as professoras Patrícia Almeida, Noeli Ronsoni e Roberta Manica passaram a se reunir para estruturar ações como rodas de conversa e espaços de escuta com as estudantes.

Atualmente, a coordenação está sob responsabilidade de Roberta Manica. “Era um assunto novo também para nós. Então, decidimos criar um trabalho diferente para levar à sala de aula e ensinar realmente o que era assédio, o que era estupro, onde estavam as leis e como fazer uma denúncia”, afirma.

Formação e acolhimento

Com a consolidação da proposta, as atividades passaram a integrar o cotidiano escolar, com participação de profissionais convidados, como advogadas e psicólogas. “Nós convidamos pessoas que tenham suporte para conversar com os alunos, dependendo da temática que estamos trabalhando”, explica a coordenadora.

Entre os temas já abordados estão a Lei Maria da Penha e o feminicídio. Para este ano, o foco envolve misoginia e discurso de ódio, incluindo um grupo formado por meninos. “Todo ano, acrescentamos um novo elemento, pensando no que eles precisam saber, porque nem tudo que vem das redes sociais é correto”, relata.

O trabalho se organiza em duas frentes. A primeira é de acolhimento, atendendo estudantes e familiares em situações de violência. “Todos que se sentem violentados podem nos procurar, e fazemos os encaminhamentos necessários”, diz.

A segunda é pedagógica, envolvendo estudantes do sexto ano do ensino fundamental ao terceiro ano do ensino médio. Cerca de 20 alunas participam diretamente das ações, que incluem produção de conteúdos e atividades de pesquisa.

Protagonismo e ciência

O grupo conta com estudantes protagonistas envolvidas em feiras, eventos e iniciativas de divulgação científica e social, além de uma rede de apoio formada por profissionais como advogados, psicólogos e equipe escolar.

Um dos marcos do projeto foi a criação do álbum de figurinhas sobre a Lei Maria da Penha, desenvolvido em sala de aula para tornar o conteúdo mais acessível. “Precisávamos transformar um projeto grande em algo mais prático, e surgiu a ideia do álbum”, explica Roberta.

A partir dessa iniciativa, o trabalho passou a circular em feiras e eventos acadêmicos, com premiações como na feira da Universidade Federal da Fronteira Sul, na Semana Maria da Penha, em Porto Alegre, e na SBPC Jovem. O grupo também tem participação confirmada na Mostratec.

Outra ação em desenvolvimento é a adaptação do álbum para o sistema Braille. “Como tenho uma irmã com deficiência visual, quis ajudar a tornar esse material mais acessível”, relata a das estudante Carolina Brondani.

Reconhecimento e impacto

O trabalho também recebeu reconhecimento institucional. O Projeto Elas foi homenageado com Menção Honrosa pela Câmara Municipal de Erechim durante a 1ª Sessão Especial de 2026, por iniciativa da vereadora Sandra Picoli.

Para a estudante Naiara Eduarda Dechamps Casturino, a participação contribui para o desenvolvimento pessoal. “Ao mesmo tempo que eu aprendo sobre a lei e como as mulheres podem se defender, eu também desenvolvo minha oralidade”, comenta. Ela acrescenta: “Hoje, eu saberia orientar alguém sobre uma situação de violência e tentar ajudar”.

Já a estudante Manuela Quinhones de Oliveira, do 3º ano do Ensino Médio, enfatiza o contato com a ciência. “Eu gostei muito porque gosto bastante de ciências e também é um empoderamento”, afirma. “Participamos de feiras, temos encontros semanais e já apresentamos trabalhos, como sobre as camadas da atmosfera”.

Formação cidadã

A diretora da escola, Aline Jacuboski Bianqui, afirma que a iniciativa surgiu da escuta dos estudantes. “Ele veio da escuta dos alunos e ganhou força com o envolvimento das professoras”, diz.

Segundo ela, a proposta contribui para a formação dos jovens. “O projeto mobiliza estudantes para que saibam se posicionar e também ajudar outras pessoas em situações de vulnerabilidade”, explica.

A diretora também observa a ampliação do escopo das ações. “Hoje, o Projeto Elas não se limita à questão da mulher. Ele aborda diferentes formas de violência e trabalha temas de autodefesa ao longo do ano”, conclui.

A iniciativa integra as ações pedagógicas da escola e está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5, da Organização das Nações Unidas, voltado à equidade de gênero.

Com base no diálogo e na escuta, o Projeto Elas segue como ferramenta educativa voltada à formação de estudantes mais conscientes sobre direitos, respeito e convivência social.

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