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Cultura

Erechim recebe lançamento do livro “Pitzi: A testemunha de pano”, de Salus Loch

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O escritor e jornalista Salus Loch e Hannah Chevalier no lançamento do livro em São Paulo
Por Redação
Foto Divulgação

Para compreender a magnitude do Holocausto, o assassinato de 6 milhões de judeus pelo regime nazista e seus colaboradores, é preciso atravessar o corredor gelado da burocracia. Raul Hilberg, em sua obra A Destruição dos Judeus Europeus, demonstrou que o genocídio não foi um surto de loucura, mas uma "máquina de destruição" operada por carimbos e orçamentos. No entanto, se Hilberg nos deu a anatomia da máquina, Saul Friedländer nos devolveu a alma das vítimas. Ao integrar diários e cartas à historiografia oficial, ele rompeu o gelo dos documentos para nos mostrar o "choque" de quem via seu mundo desmoronar.

O dever da palavra e a recusa ao silêncio

O filósofo Theodor Adorno foi categórico ao afirmar que a educação após Auschwitz deve ter um único propósito: garantir que Auschwitz não se repita. Essa exigência precede qualquer outra, pois o genocídio nasce do ato de transformar o ser humano em "coisa". A literatura combate essa desumanização ao devolver o nome, o rosto e o batimento cardíaco àqueles que o totalitarismo tentou reduzir a números.

Elo sensorial

Nesse esforço de resgate, a obra "Pitzi: A Testemunha de Pano", do jornalista Salus Loch, surge como um elo sensorial. Ao narrar a história de Hannah Chevalier por meio de uma boneca de pano, busca-se permitir que o leitor sinta a fragilidade da vida sob o cerco. Através dos olhos de Pitzi, a literatura cumpre uma nobre função: criar uma ponte de empatia.

Amor como resistência

No centro de cerca de 15 anos de estudos sobre o Holocausto, Salus faz emergir a compreensão de que o amor é a forma mais radical de resistência. O amor de Marc e Sarah, que Hannah carregou no Kaddish silencioso do monastério onde foi criada após a perda dos pais, é a prova de que a dignidade humana pode ser preservada mesmo sob o peso da opressão.

Sentinela da verdade que personifica a fragilidade da infância.

Por fim, e não menos importante, sob a perspectiva acadêmica, a boneca Pitzi atua como um objeto de pós-memória, conceito desenvolvido por Marianne Hirsch. Ela não é apenas um brinquedo, mas um suporte material que sobreviveu à ruptura física da família. Ao utilizar o recurso da prosopopeia para dar voz à boneca, cria-se o distanciamento necessário para que o horror seja narrável, transformando Pitzi em uma sentinela da verdade que personifica a fragilidade da infância.

Convite à memória

Neste dia 7 de maio, às 19h30min, a Feira do Livro de Erechim será palco de uma reflexão profunda sobre memória e direitos humanos. Salus, ex-colaborador do jornal Bom Dia, hoje na coordenação da Casa da Memória Unimed Federação/RS, apresentará a palestra "Memória, Amor e Escrita para Viver entre Guerras", seguida do lançamento do livro "Pitzi: A Testemunha de Pano".

Simbolismo histórico

A data carrega um simbolismo histórico: a semana em que o mundo celebra os 81 anos da vitória aliada sobre o nazifascismo, em maio de 1945.

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