Quem imaginaria que um dia poderíamos extrair biocombustíveis da “leguminosa soja”, óleo denominado biodiesel (HVO) para uso em todos os tipos de motores diesel e querosene verde (SAF) para os motores de aviões e de navios?
A soja, introduzida no Brasil no início do século XX, transformou-se em uma das principais commodities agrícolas do país, impulsionando a economia e o agronegócio brasileiro. Hoje é uma realidade positiva e extremamente importante para o Brasil, já que somos o maior produtor mundial.
Segundo Gabriel Pagnussatt Barcelos e Luiz Pedro Bonetti, autores do estudo “Os pioneiros no cultivo da soja no Rio Grande do Sul”, relatam que “a história também registra a participação de outros pioneiros no cultivo da soja nos primeiros tempos de sua introdução na agricultura do Rio Grande do Sul. Segundo Magalhães (1981), nos idos de 1917, o agricultor Francisco Seibot teria cultivado soja para fabricação de café no município de Santa Rosa, em sua propriedade localizada em Esquina Ramos, atual município de Tuparendi. O mesmo autor, Magalhães (1981), registra que, em 1921, a soja foi semeada pela primeira vez na extinta Estação Experimental de Agricultura e Criação de Santa Rosa, pelo técnico rural Floriano Peixoto, sendo seu diretor o professor Gentil Coelho Leal. Também por essa época, teriam sido encontradas referências sobre a boa adaptação da soja na Estação Experimental de Viamão. Pesquisa iniciada na década de 1930, na antiga Estação Experimental das Colônias, no município de Veranópolis, resultou na primeira cultivar de soja criada no Rio Grande do Sul, denominada ‘Pioneira’, que foi lançada em 1960” (FERES & GOMES, 1981).
Vale a pena repetir, para que se afirme na cabeça das pessoas e não se caia nas narrativas e fake news de ONGs ambientalistas e antipatriotas, que a Pátria Amada Brasil possui apenas 6,65 milhões de hectares (7,8%) de lavouras; 145 milhões de hectares (18,94%) de áreas com pastagens nativas e plantadas; e 5,5 milhões de hectares (1,2%) de florestas plantadas. E, pasmem, temos 528 milhões de hectares (60%) de florestas nativas.
Impacto na Agricultura e na Sociedade: a soja transformou a agricultura brasileira, impactando profundamente a economia rural, gerando oportunidades, desenvolvimento regional, fabricação de máquinas e equipamentos diversos, e empregos.
O agro brasileiro a cada dia mais vem se destacando, seja na produção de alimentos para o planeta, seja na produção de biocombustíveis. Terá posição invejável na transição energética do Brasil e do mundo. O que nos espera é imensurável!
O norte do RS vem se destacando no Brasil no uso da soja para a produção de biodiesel e, futuramente, de querosene verde. Temos, nessa região, grandes indústrias produtoras, como se fossem verdadeiras “refinarias de petróleo verde”.
Biodiesel: o HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) é um combustível renovável produzido a partir de óleos vegetais (como soja, palma e girassol) ou gorduras animais, tratado com hidrogenação (adição de hidrogênio) em altas temperaturas e pressão. É quimicamente similar ao diesel fóssil, mas não é um biodiesel (B100). Entretanto, já temos empresas, como a Be8, de Passo Fundo (RS), produzindo biodiesel 100% puro – o “Bevant”. Suas vantagens em relação ao combustível fóssil são: produto renovável, que reduz a emissão de gases de efeito estufa, como CO₂, SO₂ e demais partículas; além de ser biodegradável. Atualmente é usado em meios de transporte, como caminhonetes, ônibus e caminhões, máquinas e equipamentos agrícolas e florestais. Também pode ser usado em motores marítimos (barcos e navios de todo tipo), com adaptações. A indústria naval está explorando essas opções Fuel Alternativos para reduzir as emissões de gases.
Bioquerosene ou querosene verde – combustível de aviação (SAF, Sustainable Aviation Fuel): é um combustível sustentável para aviação produzido a partir de fontes renováveis, como óleos vegetais (soja, macaúba, pinhão-manso) e gorduras animais. É compatível com os motores de aeronaves atuais e pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 55% a 90% em comparação ao querosene tradicional.
Ainda temos milhares de hectares de terras disponíveis para serem abertas para uso agrícola e florestal.
Nossa riqueza é imensa: temos no agro brasileiro um “novo pré-sal” e poderemos ser o maior produtor e exportador de biocombustíveis do planeta, auxiliando fortemente na descarbonização, redução de gases de efeito estufa.