Me diverti com o livro Men Explain Things to Me, de Rebecca Solnit, que descreveu homens explicando o livro dela para ela mesma!
Eu já vi conselheiros explicando o negócio de um fundador para o próprio fundador e fiquei pensando em quantas vezes, nas reuniões de conselho, testemunho a mesma dinâmica, só que travestida de formalidade.
Pessoas que falam sem ouvir, que “explicam” sem perguntar, que confundem autoridade com verdade.
O padrão é o mesmo: a suposição de que quem fala mais sabe mais.
Nós (os homens, segundo Rebecca Solnit) temos a mania de inventar padrões que podemos cumprir e os chamamos de “paradigmas universais”.
No ambiente corporativo, esses padrões ainda se potencializam de racionalidade, técnica e método.
São “as boas práticas”, “as regras do mercado”, “os manuais da governança”, quase sempre criados por quem está no topo e legitimados como “neutros”.
Aquilo que chamamos de “universal” é, muitas vezes, apenas conveniência nossa disfarçada de sabedoria.
Há quem entre em uma sala de conselho para defender ideias.
Outros entram para ouvir, conectar, aprender, e esses últimos quase sempre saem com mais poder real.
Porque escutar é o ato mais sofisticado de inteligência.
O silêncio imposto é dominação, mas o silêncio escolhido, aquele que antecede a escuta, é maturidade.
Quando alguém interrompe, explica ou repete o óbvio como se fosse original, não demonstra conhecimento; demonstra medo de não ser ouvido. E, quando um conselho se torna um palco de monólogos, ele deixa de ser conselho e vira plateia de egos.
O que sei é que, mesmo sem falar de conselhos, é simples: as regras universais podem estar desatualizadas, e talvez a primeira regra de um conselho saudável seja esta: antes de falar, ouça. Antes de explicar, pergunte.
Antes de ensinar, reconheça que você também pode aprender.
Ouvir e escutar é, ao final, uma dessas “verdades universais”.