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Opinião

Quando a tragédia vira palco para idiotas digitais

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Enquanto famílias tentam recolher pedaços de telhado, salvar móveis molhados, recomeçar, existe gent
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

Em meio ao caos, ao medo e ao sofrimento de milhares de famílias, sempre aparece uma turma especializada em transformar desinformação em combustível. É impressionante, e revoltante, como, enquanto servidores públicos, voluntários e vizinhos se desdobram para ajudar quem perdeu tudo, tem gente que dedica o tempo a espalhar fake news como se fosse um esporte.

 

O prazer mórbido de criar pânico

Aconteceu nas enchentes do ano passado. Está acontecendo agora, em Erechim, depois do temporal de granizo que devastou a cidade no domingo. Basta um instante de silêncio, e lá vem mais uma mentira pipocando nos grupos de WhatsApp ou nas redes: que “uma nova chuva gigante está chegando”, que “a Defesa Civil confirmou algo que nunca confirmou”, que “o governo esconde informações”. Sempre tem alguém disposto a inventar, a distorcer, a criar pânico.

 

A pérola da vez

E, claro, não poderia faltar a pérola da vez: a fake news de que a Diretoria de Trânsito e a Brigada Militar estariam multando veículos com para-brisas destruídos pelo granizo. Absurdo completo. A prefeitura precisou vir a público, na tarde desta terça-feira (25), para desmentir oficialmente a invenção.

 

Numa tragédia, a mentira é a segunda tempestade

Enquanto famílias tentam recolher pedaços de telhado, salvar móveis molhados, recomeçar, existe gente preocupada em viralizar boato. Quem espalha mentira escolhe estar do lado oposto: o lado do caos. O lado que trabalha contra a cidade. Erechim e a comunidade não merecem isso. Se não quer ajudar, ao menos não atrapalhe. E, principalmente, não invente. Porque, em uma tragédia, a mentira é a segunda tempestade.

 

 

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