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Expressão Plural

O Roberto Planta vem pro Brasil!

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Gabriela de Freitas
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

Esta semana me deparei com a notícia sobre a possibilidade da vinda de Robert Plant ao Brasil. Fiquei extasiada! O lendário vocalista do Led Zeppelin na capital gaúcha. Em frações de segundo, meu cérebro já fez aquele cálculo automático do valor do ingresso, do deslocamento, da logística, mas nem isso foi suficiente para abalar o entusiasmo. A chance de ver Plant ao vivo é daquelas que passam uma vez na vida, talvez duas para os mais sortudos.

Led sempre ocupou um espaço especial na minha história, ainda que indiretamente. Era, e ainda é, a banda preferida do meu pai e do meu tio mais velho, o Mauro. Cresci ouvindo comentários apaixonados, discussões acaloradas sobre discos, riffs, capas de vinil, a voz inconfundível de Plant e a guitarra de Page. Depois veio o Caio, meu marido, e fechou o ciclo: mais uma pessoa próxima que simplesmente respira Led Zeppelin. Eu, por outro lado, precisei de mais tempo. Não foi amor à primeira audição. Precisei amadurecer o ouvido, o gosto, talvez até a alma, para compreender de verdade o impacto daquela banda fantástica. E ainda bem que “o tempo é o senhor de todas as coisas”.

Mas aí volto à realidade. Não é exatamente um show do Led Zeppelin , e isso, claro, ninguém mais espera. Trata-se do artista que deu voz a tudo aquilo que moldou gerações inteiras. Décadas se passaram, muitas antes mesmo de eu existir, e é natural que muita coisa tenha mudado musicalmente. Os tempos, as influências, a sonoridade, as parcerias. Fico imaginando como é ouvir, hoje, aquele mesmo vocal carregando outras atmosferas, outras texturas, outra vida.

Por isso já entendi que, antes de decidir de vez se vou ao show, terei que dedicar alguns dias à imersão. Ouvir com calma o trabalho mais recente, compreender a proposta da turnê, sentir o que Plant está apresentando agora. “Googleando”, descobri que a banda se chama Saving Grace e que ele divide vocais com a cantora Suzi Dian. Duas informações e já me vi abrindo mais abas, salvando links, criando mentalmente uma playlist prévia. Outra pesquisa que, inevitavelmente, vou aprofundar.

E enquanto penso em tudo isso, percebo como música é uma daquelas linguagens que se entrelaçam com a memória. Bom seria se todos nós tivéssemos a chance de assistir a todos os artistas que marcaram momentos importantes da nossa vida. Há músicas que se tornam moradia, que nos lembram de quem fomos e de quem somos quando apertamos o play. Ver isso acontecer ao vivo, sentir o impacto real, o calor da plateia, o vibrar das caixas de som, o silêncio antes do primeiro acorde... não existe sensação igual.

Talvez eu ainda não tenha decidido se vou ou não. Talvez a decisão já esteja tomada e eu só esteja procurando justificativas. O fato é que a simples possibilidade já me levou a revisitar um pedaço de história. E isso, por si só, já vale o ingresso.

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