A Copa do Mundo foi à África em 2010. A África do Sul venceu a disputa contra Marrocos e Egito, em uma eleição restrita a candidaturas africanas. A decisão carregava um forte peso histórico, mas também desconfianças internacionais sobre infraestrutura, segurança e capacidade organizacional, além dos estigmas que até hoje cercam o continente, como a associação à pobreza e às desigualdades sociais. No caso sul-africano, somava-se ainda o passado recente do Apartheid, a política de segregação aos negros que foi encerrada na década de 1990, o que ampliava o olhar sobre a condução do país como sede do torneio. Mas tudo aconteceu com sucesso.
Um dos elementos mais fortes da Copa foi o som das vuvuzelas, uma corneta típica das arquibancadas sul-africanas. O ruído contínuo, comparado ao zumbido de abelhas, virou símbolo do torneio, ao mesmo tempo que gerou críticas de jogadores, treinadores e jornalistas pela dificuldade de comunicação em campo e transmissão.
Dentro de campo, o nível técnico do torneio foi considerado baixo, com jogos truncados e uma baixa média de gols. Os classificados para a África do Sul foram: Espanha, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Dinamarca, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Suíça, Grécia, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Gana, Nigéria, Camarões, Costa do Marfim, Argélia, Estados Unidos, México, Honduras, Japão, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Austrália e Nova Zelândia.
Entre os destaques, Gana chegou às quartas de final e ficou muito próxima de se tornar a primeira seleção africana a alcançar uma semifinal. No duelo contra o Uruguai, nos minutos finais da prorrogação, o atacante Luís Suárez colocou a mão na bola e os ganeses tiveram um pênalti, que foi desperdiçado. Na sequência, os uruguaios avançaram nos pênaltis. No lado contrário, a então campeã Itália foi eliminada ainda na primeira fase.
O Brasil chegou sob o comando de Dunga, em um projeto que buscava o oposto do ambiente caótico de 2006. A preparação foi mais fechada, com controle rígido sobre o grupo e menor exposição à imprensa e ao público. Ainda assim, a convocação foi questionada pelas ausências de nomes como Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Neymar, em benefício de escolhas conservadoras, que privilegiavam jogadores de maior disciplina tática e confiança do técnico em detrimento da criatividade.
Na campanha, o Brasil venceu a Coreia do Norte por 2 a 1, a Costa do Marfim por 3 a 1, e empatou com Portugal em 0 a 0, avançando em primeiro no grupo. Nas oitavas de final, superou o Chile por 3 a 0. Nas quartas, enfrentou a Holanda. Após sair na frente e controlar o primeiro tempo, a seleção sofreu a virada no segundo, perdeu por 2 a 1 e foi eliminada de maneira frustrante.
Se o Brasil caiu, a Espanha construiu sua campanha de forma oposta. A equipe carregava a fama de “amarelar” em Copas, mas vinha embalada pelo título da Eurocopa de 2008, o que indicava uma mudança de mentalidade. Mesmo assim, estreou com derrota para a Suíça, o que aumentou a pressão.
A partir dali, porém, iniciou-se uma trajetória baseada na paciência e controle do jogo. Na fase de grupos, venceu Honduras e Chile. No mata-mata, passou por Portugal nas oitavas de final, Paraguai nas quartas e Alemanha na semifinal, todos com vitórias por 1 a 0.
A final foi disputada contra a Holanda em Johanesburgo, em uma partida com muitas faltas e recorde de cartões amarelos. O jogo caminhava para os pênaltis até que, na prorrogação, Andrés Iniesta marcou o gol do título. A vitória por 1 a 0 deu à Espanha seu primeiro título mundial. Foi uma campanha sem explosão ofensiva, com apenas oito gols marcados, mas vencida com maturidade.