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Expressão Plural

Situação – Expectativa = Felicidade

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JF Martignoni.jpeg
Por JF Martignoni
Foto Arquivo pessoal

Aleatoriamente, como é o costume da vida, esta frase chegou até mim. Ela é popularmente atribuída ao comediante britânico Jimmy Carr. Uma fórmula simples: você está tão feliz agora quanto a subtração de sua situação atual e suas expectativas. Quantas vezes alguém nos recomendou um filme de uma maneira tão empolgada, que quando assistimos, mesmo gostando ficamos decepcionados? Ou vamos em uma festa, esperando que fosse algo de outro mundo, e saímos infelizes. Outras pessoas que foram na mesma festa estavam falando sobre por semanas, se divertiram como nunca, e nós não.

Conhecemos uma pessoa e estamos vivendo momentos maravilhosos com ela, a relação acaba, imaginamos que seria para a vida toda, ficamos extremamente frustrados. “Não deu certo.” É o que se diz, mas de todo o tempo bom, extremamente maior que o ruim, a conclusão é que não deu certo por que acabou? Um livro não é ruim por que acaba. Apenas chega a hora de ler outra coisa.

Você embarca em um curso superior pensando que será muito bem sucedido, se forma, o tempo passa e ainda não é. Você sente que falhou. A vida ainda não acabou, muitas vezes mal começou. Mas sente que falhou. Há bilionários que querem mais dinheiro, mesmo que o dinheiro nem faça mais sentido para eles. O conceito de ‘caro’ ou ‘economizar’ para algo são abstratos e ainda querem mais: sua realidade nunca será o suficiente pra subtrair sua expectativa com a fortuna. Isso não tem a ver com dinheiro, mas com o que esperamos sentir com nossas conquistas e momentos.

Hakuin Ekaku, foi um monge budista japonês nascido em Hara-juku, Tóquio, aos sete anos ouviu de um sacerdote como era terrível o inferno budista e decidiu dedicar sua vida ao máximo para evitar que este fosse seu destino. Ele precisava se livrar de todos os pecados e ascender ao plano sagrado. Treinou, estudou e meditou mais que qualquer outro monge de sua Era. Quando ele sentiu um calor subindo por sua coluna e espalhando por seu corpo, desmaiou, experiência parecida com o que todos os que atingem a iluminação descrevem, mas o vazio que sentiu ao retornar à consciência não lhe trouxe paz, mas medo e extrema infelicidade. Passou o resto de sua vida pregando sobre não abandonar o corpo ao buscar o espiritual.

Slavoj Žižek, um psicanalista esloveno, afirma: “nós não realmente queremos o que acreditamos querer”. Para ele humanos preferem obcecar miseravelmente em seus desejos, do que os conquistar, pois isso marca o fim do desejo. O momento perfeito que sonhamos viver existe apenas em nossa imaginação. Aquela pessoa perfeita para nós, só é assim até estarmos com ela. Aquele emprego só é maravilhoso até você ser contratado. A viagem só é um sonho até embarcar nela.

Sempre teremos conflitos, inconveniências, problemas... A questão não é abandonar objetivos ou aceitar situações ruins, mas viver os momentos pelo que são e não se frustrar pelo que poderiam ter sido. Uma vez estava assistindo um filme na sala com a minha mãe, eu estava frustrado com algum evento que aconteceria e eu não poderia ir, e ela me disse: “Por que você não aproveita este filme e come essa pipoca? Podemos sentar aqui outros dias comer pipoca e assistir filmes, mas nunca mais será essa pipoca, pode até ser este mesmo filme, mas será apenas um filme que já assistimos. Este momento só existe agora, nunca se repetirá.” Foi algo que a mãe dela disse para ela numa situação parecida, agora é minha vez de passar esse conhecimento para vocês.

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